Texto
. Como o paladar corresponde à percepção e à afeição de saber, de entender e de ser sábio, e nessa afeição está a vida do homem, é por isso que não é permitido a nenhum espírito nem anjo influir no paladar do homem, pois isto seria influir na vida que lhe é própria. Há, entretanto, da turba infernal, espíritos errantes, mais perniciosos do que os outros, que porque na vida do corpo se imbuíram da cobiça de entrar nas afeições do homem para lhe causar dano, retém também na outra vida essa cobiça, e se aplicam de todo modo a entrar no paladar no homem, no qual, quando entraram, tomam posse dos seus interiores, a saber, da vida de seus pensamentos e de suas afeições, pois, como foi dito, essas coisas correspondem, e as coisas que correspondem fazem um. Hoje em dia há um grande número de indivíduos que são possuídos por esses espíritos, porquanto hoje as obsessões são interiores, mas não exteriores como outrora.
[2] As obsessões interiores são feitas por tais espíritos, e é possível ver quais são essas obsessões, se se dirigir a atenção sobre os pensamentos e as afeições, principalmente sobre as intenções interiores que se teme manifestar, as quais em alguns são levadas a um tal grau de loucura, que se não fossem coagidas pelos vínculos externos, que são honra, o ganho, a reputação, o medo de perder a vida, o temor da lei, eles se precipitariam mais do que obsedados nos homicídios e nas rapinas. Quem e quais são esses espíritos que obsedam os interiores desses homens, foi visto (n. 1983).
[3] Para que eu conhecesse o modo como isto acontece, foi-lhes permitido fizer esforços para entrar no paladar em mim, no que também se empenhavam com a maior aplicação; e então me disseram que se eles penetrassem até o paladar, eles se apoderariam também dos interiores, pela razão que o paladar depende desses interiores pela correspondência; mas permitiu-se isso unicamente a fim de que eu soubesse como isso acontecia em relação à correspondência do paladar, pois foram logo dali expulsos.
[4] Esses espíritos perniciosos procuram entrar principalmente no paladar para que dissolvam todos os vínculos internos, que são as afeições do bem e do vero, do justo e do equitativo, o temor da Lei Divina, a vergonha de prejudicar a sociedade e a pátria. Esses vínculos internos, quando foram dissolvidos, então eles obsedam tal homem. Quando eles não podem introduzir-se assim nos interiores por meio de um esforço obstinado, eles o tentam por artifícios mágicos que, na outra vida, são em um elevadíssimo número e absolutamente desconhecidos no mundo. Por meio desses artifícios eles pervertem os conhecimentos no homem, e aplicam somente os que são favoráveis a vergonhosas cobiças. Tais ataques obstinados não podem ser evitados, exceto se o homem estiver na afeição do bem e, daí, na fé no Senhor.
[5] Monstrou-se-me também o modo como eles eram expulsos, a saber, quando consideravam penetrar para os interiores da cabeça e do celebro: eles eram transportados pelas vias excrementícias que neles há, e dali para os externos da pele; e vi que eles eram depois lançados em uma fossa cheia de imundícies dissolvidas. Fui informado que tais espíritos correspondem aos sujos orifícios da pele mais exterior onde está a sarna, assim, correspondem à sarna.