. Conversou comigo um certo espírito que no tempo em que vivia no mundo, conhecera mais do que os outros os veros exteriores da fé; entretanto, não tinha levado uma vida conforme os preceitos da fé, porque amara a si só, desprezara os outros quando os comparava a si e imaginara que estaria no céu entre os primeiros. Mas como ele fosse tal, ele não tinha podido ter do céu outra opinião senão a que ele tivera de um reino do mundo. Quando, na outra vida, ele descobriu que o céu era absolutamente diferente, que lá os principais eram os que não se preferiram aos outros e, sobretudo, os que se tinha crido indignos de misericórdia e, assim, os últimos em razão do mérito; ele encheu-se de indignação e rejeitou as coisas que tinham pertencido à sua fé na vida do corpo. Esse espírito tentava continuamente fazer violência aos que eram da província da língua. Permitiu-se-me perceber os seus esforços durante muitas semanas e também saber, por esse fato, quem e quais são os que correspondem à língua, e quais são opostos.