. Há também semelhantes espíritos, que de algum modo admitem a luz do céu e recebem alguma percepção do vero; eles até recebem com avidez os veros, mas não é por causa do fim de que vivam segundo eles, mas para se gloriar, daí, para que sejam vistos como mais inteligentes e clarividentes do que os outros; pois tal é o intelectual do homem, que pode receber os veros, mas ainda assim os veros não serem apropriados a não ser que viva segundo eles; se o intelectual do homem não fosse tal, ele não poderia ser reformado. [2] Aqueles que foram tais no mundo, a saber, que entenderam os veros e, todavia, viveram a vida do mal, são também tais na outra vida; mas lá eles abusam de sua faculdade de entender os veros para dominar, pois sabem que pelos veros eles têm comunicação com algumas sociedades do céu, que, consequentemente, eles podem estar com os maus e ter autoridade, pois os veros na outra vida têm consigo o poder; mas como a vida do mau está neles eles estão no inferno. [3] Falei com dois espíritos que tinham sido tais na vida do corpo; admiravam-se de se acharem no inferno, quando entretanto acreditaram persuasivamente nos veros da fé; mas foi-lhes dito que neles a luz pela qual eles entendiam os veros, é uma luz semelhante a do inverno no mundo, na qual os objetos se apresentam com a sua beleza e com as suas cores como na luz do verão, mas ainda assim nessa luz tudo definha, e não se mostra coisa alguma de agradável e de risonho; e que, ao entenderem os veros, eles tinham tido por fim a vanglória e, portanto, era por causa de si próprios, que a esfera de seus fins, quando ela se eleva aos céus interiores para os anjos, que percebem unicamente os fins, não pode lá ser suportada, mas é rejeitada; daí vem que ele estavam no inferno. [4] Acrescentou-se que tais homens tinham sido outrora, de preferência aos outros, chamados as serpentes da árvore da ciência, pois, quando eles raciocinam a partir da vida, falam contra a veros; e, além disso, eles são semelhantes a uma mulher cujo rosto é gracioso e cujo corpo derrama um cheiro tão infecto, que, por toda a parte aonde ela vai, é rejeitada das sociedades. Na outra vida, quando tais espíritos vêm para as sociedades angélicas eles espalham mesmo ativamente um cheiro infecto, que também eles mesmos sentem quando se aproximam dessas sociedades. Pode-se ver ainda por esse modo o que é a fé sem a vida da fé.