. Há, na outra vida, muitíssimas sociedades que são denominadas sociedades de amizade; elas se compõem dos que, na vida do corpo, preferiram o prazer das conversações a qualquer outro prazer, e que amaram aqueles com os quais eles palestravam, não se preocupando se eles eram bons ou maus, contanto que fossem agradáveis; assim, eles não tinham sido amigos nem pelo bem nem pelo vero. Os que foram tais na vida do corpo são também tais na outra vida; eles se reúnem pelo único prazer da conversação. Muitas dessas sociedades estiveram comigo, mas à distância. Elas foram principalmente vistas um pouco para direita, acima da cabeça. Foi-me dado notar a sua presença por um torpor e um embotamento, e pela privação do prazer em que eu estava, pois a presença dessas sociedades produz esse efeito, e em qualquer parte aonde chegam elas arrebatam o prazer aos outros; e o que é espantoso é que elas o apropriam a si, porquanto desviam os espíritos que estão com os outros e os voltam para si. Por esse modo elas transportam para si o prazer de outrem; e como por esse modo elas são importunas e nocivas aos que estão no bem, o Senhor impede que elas se aproximem das sociedades celestes. Por esse modo me foi concedido conhecer quanto a amizade causa prejuízo ao homem quanto a vida espiritual se ele considera a pessoa e não o bem. Qualquer um pode ser amigo de um outro, mas deve ser ainda mais amigo do bem.