. ‘E aconteceu nesse tempo’; que signifique o estado das coisas que seguem, é o que se vê pela significação do ‘tempo’, que é o estado (n. 2625, 2788, 2837, 3254, 3356, 3404, 3938); que seja o estado das coisas que seguem, isso é significado pelo que se diz: “aconteceu nesse tempo”, pois se faz menção do que sucedeu nas coisas seguintes; as coisas que seguem também na série fluem das que antecedem; com efeito, no capítulo precedente se tratou dos filhos de Jacó, que tenham vendido José, e que Judá a isto aconselhou, do que se trata no capítulo precedente assim: “Disse Judá aos seus irmãos: Que ganho há em que matemos o nosso irmão e cubramos o seu sangue? Ide, e vendamo-lo aos ismaelitas, ...” (vers. 26, 27); pelo que é significado que o Divino Vero tinha sido alienado, principalmente por Judá, por quem aí, no sentido próximo, é significada a tribo de Judá, e em geral os perversos na igreja, que são contra o bem seja ele qual for (ver n. 4750, 4751); é isso que se considera por se dizer “nesse tempo”, pois se trata agora de Judá e dos seus filhos da mulher cananeia, e depois de Thamar, sua nora; e por meio dessas coisas se descreve, no sentido interno, a tribo de Judá relativamente às coisas que pertencem à igreja nela instituída. [2] Que pelo ‘tempo’ seja significado o estado, e por isso por ‘aconteceu nesse tempo’, o estado das coisas que seguem, isso não pode não se mostrar como estranho, a causa é porque não é possível compreender como uma noção de tempo pode mudar-se em noção de estado, ou quando se lê ‘tempo’ na Palavra, que se deva entender tal coisa que pertence ao estado. No entanto, deve-se saber que os pensamentos dos anjos nada tomam do tempo nem do espaço, porque os anjos estão no céu. Com efeito, quando eles deixaram o mundo, eles também deixaram a noção de tempo e de espaço, e revestiram as noções de estado, a saber, do estado do bem e do vero; por isso é que, quando se lê a Palavra e daí se pensa a respeito do tempo e das coisas pertencentes ao tempo, os anjos com quem se está lendo não percebem coisa alguma do tempo, mas em lugar do tempo percebem as coisas pertencentes ao estado; [e estas] também correspondem. E nem mesmo o homem no pensamento interior percebe o tempo, mas sim no exterior, como se pode ver pelo estado do homem quando o seu pensamento exterior está adormecido, isto é, quando ele dorme; e também por muitas outras experiências. [3] Mas é necessário saber que há em geral dois estados, a saber, o estado do bem e o estado do vero, aquele é chamado o estado do ser, mas este, o estado do existir, pois o ser pertence ao bem, e o existir, que resulta do ser, pertence ao vero; ao estado do ser corresponde o espaço, e ao estado do existir, o tempo. Daí se pode ver que, quando o homem lê isto: “e aconteceu nesse tempo”, os anjos junto a ele não podem de modo algum perceber essas palavras como o homem; o mesmo acontece com as passagens restantes. Com efeito, tudo que foi escrito na Palavra, isto é tal que se muda, juntoaos anjos, em um sentido correspondente, que não se mostra de modo algum no sentido da letra, pois o mundano que pertence ao sentido da letra é mudado no espiritual que pertence ao sentido interno.