Texto
. ‘E acrescentou ainda, e pariu um filho’; que signifique o idolátrico, é o que se vê pela significação do filho aqui, que é o idolátrico, pois os que nasceram antes significavam o falso e o mal (n. 4821, 4823), daí se segue que o terceiro é o idolátrico, pois um e outro, a saber, o falso e mal o produzem e estão nele463. Esse filho, dos três filhos que Judá teve da cananeia, foi somente ele que sobreviveu, é também dele que saiu a terça parte da nação judaica e se entende, no sentido interno, que ele tirou sua origem do idolátrico. Que essa nação tenha sido muito propensa à idolatria, vê-se pelos históricos e os proféticos da Palavra a partir do sentido da letra dela; que ela tenha sido continuamente idólatra, vê-se pelo sentido interno. O idolátrico, com efeito, não consiste somente em adorar ídolos e imagens esculpidas, bem como em adorar outros deuses, mas também consiste em adorar as coisas externas sem as internas; nisso essa nação fora continuamente idólatra, pois adorava somente as coisas externas e repelia inteiramente as internas, e nem sequer a respeito delas queria saber. De fato, ela teve em si coisas santas, como a tenda de conversão com a arca, e ali o propiciatório, as mesas sobre as quais estavam os pães, e o castiçal, e os perfumes, e fora da tenda, o altar sobre o qual se faziam os holocaustos e os sacrifícios, coisas essas que eram chamadas santas, e o íntimo ali se chamava santo dos santos, como também santuário. Havia também com eles as vestes destinadas a Aharão e aos seus sumos sacerdotes, e que eram ditas vestes de santidade, pois havia o Éfode com o peitoral onde estava o Urim e o Thumim, além de muitas outras coisas; mas não eram santas em si mesmas; porém, elas eram santas por isso, que representavam as coisas santas, a saber, as coisas Divinas, as celestes e as espirituais do Reino do Senhor, e o Senhor mesmo. Elas eram ainda menos santas pelo povo com quem estavam, pois ele não era em nada afetado pelos internos que elas representavam, mas somente pelos externos; e ser afetado somente pelos externos é o idolátrico, pois isto é adorar a madeira e a pedra, e também o ouro e a prata com os quais eles eram cobertos, a partir da fantasia que eles sejam santos em si mesmos. Tal foi essa nação, e tal ela é ainda hoje.
[2] Não obstante, ainda assim, entre tais [homens] pôde estar o representativo da igreja, porque o representativo não considera a pessoa, mas sim a coisa (ver n. 665, 1097 no fim, 3670, 4208, 4281, 4288); daí também o culto não os fez bem-aventurados nem felizes na outra vida, mas somente prósperos no mundo enquanto persistissem nos representativos e não se voltassem para os ídolos das nações, e assim, enquanto não se tornassem abertamente idólatras, pois então não pôde mais ser representada alguma igreja junto a essa nação. São essas as coisas que agora se entendem pelo idolátrico, que é significado pelo terceiro filho que Judá teve da mulher cananeia. Este idolátrico com essa nação tirara sua origem do seu idolátrico interno, pois tinha estado, mais do que as outras nações, no amor de si e do mundo (n. 4459 no fim, 4750); e os que estão no amor de si e do mundo estão na idolatria interna, pois adoram a si próprios e ao mundo, e veneram as coisas santas por causa de sua própria adoração e do seu próprio ganho, isto é, tendo por fim a si, não tendo por fim a igreja e o Reino do Senhor, assim, [veneram as coisas santas] não por causa do Senhor.