ac 4835

Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

. ‘Vai à esposa do teu irmão, e presta o levirato a ela’; que signifique que ele continuaria isso, a saber, o representativo de igreja, vê-se pela significação de ‘vir (ou entrar) à esposa de seu irmão’, e de ‘prestar o levirato a ela’, que é conservar e continuar aquilo que pertence à igreja. Que na lei mosaica foi ordenado, se alguém morresse sem prole, que seu irmão tomaria a esposa viúva dele e suscitaria semente a seu irmão, e que o primogênito seria chamado do nome do irmão defunto, mas os filhos restantes seriam dele, a isto se chamava levirato. Que esse estatuto não tinha sido algo novo que se estabeleceu na Igreja Judaica, mas que também esteve anteriormente em uso, vê-se a partir dessas palavras de Judá; o mesmo acontece com um grande número de estatutos que foram ordenados aos israelitas por Moisés, como que não tomassem esposas dentre os filhos dos cananeus, e que as tomassem dentre as famílias (Gn. 24:3, 4; 28:1, 2); daí e a partir de vários estatutos e outros, é evidente que antes tinha existido uma igreja em que tais coisas tinham sido instituídas, quais as que foram em seguida promulgadas e recomendadas aos filhos de Jacó. Que os altares e os sacrifícios também tenham estado em uso desde o tempo antigo, vê-se a partir de Gênesis, 8:20, 21; 22:(3), 7, 8. Daí fica claro que a Igreja Judaica não tenha sido uma nova igreja, mas que era uma ressuscitação da Igreja Antiga, que perecera.
[2] Qual fora a lei do levirato, vê-se em Moisés:
“Se habitarem os irmãos juntos, porém tiver morrido um deles, não [tendo] ele filho, não se casará a esposa do defunto fora com varão estrangeiro, o cunhado dela464 entrará a ela, e tomá-la-á a si por esposa, e assim prestará o levirato a ela. Então será, o primogênito que [ela] tiver parido, estará sobre o nome do irmão defunto dele, para que não se apague o nome dele de Israel. Que se não quiser o varão tomar a sua cunhada, subirá a cunhada dele ao portão aos anciãos, e dirá: Recusa o meu cunhado suscitar ao seu irmão um nome em Israel, não quer prestar o levirato para comigo; então chamá-lo-ão os anciãos da cidade dele, e falar-lhe-ão; o qual, se persistir e disser: Não desejo tomá-la; aproximar-se-á a sua cunhada a ele, aos olhos dos anciãos, e tirará o sapato dele de sobre o pé dele, cuspirá na face dele, e responderá e dirá: Assim se fará ao varão que não edifica a casa do seu irmão; donde se chamará o nome dele em Israel: a casa do tirado o sapato465” (Dt. 25:5–10).
[3] Quem não conhece o que o levirato representa não pode crer outra coisa senão que a causa era somente para conservar o nome e, daí, a herança, mas a conservação do nome e da herança não era de tanta importância, que por isso o irmão devesse entrar em um casamento com a sua cunhada; mas isso fora recomendado, a fim de que por meio disso fosse representada a conservação e a continuação da igreja. Com efeito; o casamento representava o casamento do bem e do vero, isto é, o casamento celeste, por conseguinte, também a igreja, pois a igreja é igreja pelo casamento do bem e do vero; e quando a igreja está nesse casamento, ela faz um com o céu, que é o casamento celeste mesmo; e porque o casamento representava essas coisas, por isso os filhos e as filhas representavam e também significavam os veros e os bens; é por isso que estar sem filhos significava a privação do bem e do vero, assim, que nenhum representativo de igreja houvesse mais nessa casa, consequentemente, que estava fora da comunhão. Além disso, o irmão representava o bem consanguíneo ao qual devia ser conjunto o vero que era representado pela esposa viúva, pois o vero não pode ser conjungido a outro bem que não seja ao bem que é seu e consanguíneo, para que seja um vero que tenha a vida e produza fruto, e assim continue o que pertence à igreja. Isso é percebido no céu por meio do levirato.
[4] Que se não quisesse prestar o levirato, a sua cunhada tiraria o sapato de sobre o pé dele e lhe cuspia na face, significa que desse modo aquele que estava sem o bem e sem o vero externo e interno destruiria as coisas que pertenciam à igreja, pois o sapato é o externo (n. 1748), e a face o interno (n. 1999, 2434, 3527, 4066, 4796). A partir daí é evidente que pelo levirato era representada a conservação e a continuação da igreja. Mas quando os representativos dos internos cessaram pela vinda do Senhor, então essa lei foi abolida. Tem-se isto como com a alma ou o espírito do homem e com seu corpo: a alma ou espírito do homem é o seu interno, e o corpo é o seu externo; ou, o que é o mesmo, a alma ou espírito é a efígie mesma do homem, o corpo por sua vez é a sua imagem representativa; quando o homem ressuscita, então a imagem representativa ou o seu externo, que é o seu corpo, é rejeitado, pois então ele está no interno ou na própria efígie. O mesmo acontece com aquele que está nas trevas, e que a partir delas vê as coisas que pertencem à luz, ou, o que é o mesmo, como com aquele que está na luz do mundo, e que por essa luz vê as coisas que pertencem à luz do céu, pois a luz do mundo, relativamente à luz do céu, equivale a trevas; nas trevas, ou na luz do mundo, as coisas que pertencem à luz do céu não aparecem tais quais elas são em si, mas como em uma imagem representativa, do mesmo modo que a mente do homem em sua face; é por isso que, quando a luz do céu aparece em sua claridade, então as trevas ou as imagens representativas se dissipam; isso se fez pela vinda do Senhor.
*4835a. ‘E suscita semente ao teu irmão’; que signifique a fim de que a igreja não pereça, é o que se vê pela significação da ‘semente’, que é o vero proveniente do bem, ou a fé da caridade (n. 1025, 1447, 1610, 1940, 2848, 3310, 3373, 3671); a mesma coisa é também significada pelo primogênito, que devia estar sobre o nome do irmão defunto (n. 352, 367, 2435, 3325, 3494); suscitar esta semente ao irmão é continuamente [prover] isso que pertence à igreja, segundo as coisas que foram ditas logo acima (n. 4834), assim, para que a igreja não pereça.

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