. ‘E aconteceu, quando veio à esposa do seu irmão, e perdeu na terra’; que signifique o contrário do amor conjugal, descreve-se por ‘Er’, primogênito de Judá, [que] é o falso que pertence ao mal, no qual a nação judaica esteve primeiro; e por ‘Onan’, o segundo gerado, descreve-se o mal que provém do falso que pertence ao mal, no qual essa nação esteve depois; e por Shelah, o terceiro filho, descreve-se o idolátrico que daí provém, no qual, por fim, [essa nação] estivera continuamente (n. 4826). O mal proveniente do falso do mal é descrito por meio disso que fizera Onan, a saber, que não queria dar semente ao irmão, mas que perdesse na terra. Que por meio disso seja significado o contrário do amor conjugal, é porque pelo conjugal, no sentido interno, entende-se aquilo que pertence à igreja, visto que a igreja é o casamento do bem e do vero; a esse casamento é absolutamente contrário o mal proveniente do falso do mal, isto é, aqueles que estão em tal mal são contrários a este casamento. [2] Que essa nação não tenha tido conjugal algum, entendido tanto no sentido espiritual como no sentido natural, vê-se claramente por isto, que lhe tenha sido permitido tomar várias esposas. Com efeito, onde há o conjugal entendido no sentido espiritual, isto é, onde há o bem e o vero da igreja, consequentemente, onde há a igreja, aí isto nunca é permitido, pois o conjugal genuíno jamais acontece, senão entre aqueles nos quais há a igreja ou o Reino do Senhor, e nestes o conjugal não acontece senão entre dois (n. 1907, 2740, 3246). O casamento entre dois que estão no genuíno amor conjugal corresponde ao casamento celeste, isto é, a conjunção do bem e do vero, o marido corresponde ao bem, e a esposa ao vero desse bem; e também, quando eles estão no genuíno amor conjugal, eles estão nesse casamento; é por isso que onde há a igreja, aí nunca é permitido tomar várias esposas. No entanto, como não houve igreja com a posteridade de Jacó, mas houve apenas um representativo de igreja, ou o externo da igreja sem o interno (n. 4307, 4500), por isso com ela foi permitido. E, além disso, o casamento de um só marido com várias esposas se apresentaria, no céu, como a ideia ou a imagem de um só bem conjungido com diversos veros que não concordam entre si e, assim, seria nulo, pois o bem se torna nulo pelos veros que não concordam. O bem, com efeito, tem sua qualidade pelos veros e pela concordância dos veros entre si. [3] Tal casamento apresentaria também uma imagem, como de uma igreja que não seria uma, mas várias, e essas [em muitas igrejas] distintas entre si segundo os veros da fé ou segundo os doutrinais, quando, entretanto, a igreja é uma só quando o bem é nela o essencial, e que ele é aí qualificado e, por assim dizer, modificado pelos veros. A igreja é a imagem do céu, pois ela é o Reino do Senhor nas terras. O céu se distingue em muitas sociedades gerais, e estas em sociedades menores subordinadas; mas, ainda assim, elas são uma só pelo bem; os veros da fé se têm aí convenientemente segundo o bem, porquanto esses [veros] visam o bem e dele provêm. Se o céu tivesse sido distinguido segundo os veros da fé e não segundo o bem, o céu seria nulo, pois nada haveria de unanimidade. Com efeito, não poderia existir para essas sociedades uma unidade de vida ou uma alma única pelo Senhor; isso só existe no bem, isto é, no amor ao Senhor e no amor para com o próximo. Uma vez que o amor conjunge tudo, quando o amor do bem e do vero está em cada coisa, é então o geral procedente do Senhor, assim, o Senhor, o que conjunge tudo. O amor do bem e do vero é o que se chama amor para com o próximo, pois o próximo é quem está no bem e, daí, no vero, e no sentido abstrato, o bem mesmo e o vero desse bem. Por essas explicações se pode ver o porquê de, dentro da igreja, o casamento dever ser entre um só marido e uma só esposa; e o porquê de ter sido permitido aos pósteros de Jacó tomarem várias esposas, e que era por este motivo, porque não houve ali igreja e, por conseguinte, ali o representativo da igreja não pôde ser instituído por meio dos casamentos, porque estiveram no contrário do amor conjugal.