. ‘Multiplicaram-se os dias’; que signifique a mudança de estado, vê-se pela significação de ‘serem multiplicados os dias’, que é ser mudado o estado, pois os dias ou o tempo, no sentido interno, é o estado (n. 23, 487, 488, 893, 2788, 3462, 3785); e ‘ser multiplicado’, quando isso se predica dos dias ou dos tempos, é ser mudado; que seja uma mudança de estado que é significada, vê-se também pelas coisas que seguem. Diz-se multiplicaram-se porque envolve uma mudança de estado quanto aos veros, pois multiplicaram-se se predica dos veros (n. 43, 55, 913, 983, 2846, 2847). Como tantas vezes se diz estado e também mudança de estado, e poucos sabem o que vem a ser o estado e sua mudança, deve-se dizer o que é: dos interiores do homem, a saber, de suas afeições e de seus pensamentos, não se pode predicar o tempo e a progressão do tempo, nem o espaço e a extensão do espaço, porque não estão em um tempo nem em um lugar, embora se mostre, diante dos sentidos no mundo, que aí estejam, mas nos interiores estão as coisas que correspondem ao tempo e ao lugar; estas coisas que correspondem não podem ser chamadas de outra coisa senão de estados, pois não há outra palavra pela qual essas coisas correspondentes possam ser expressas. Diz-se que o estado dos interiores é mudado quando a mente (ou ânimo) é mudada quanto as afeições469 e, portanto, quanto aos pensamentos, como quando se muda de triste para alegre, e de novo de alegre a triste, de ímpio a piedoso (ou devoto), e assim por diante. Essas mudanças se chamam mudanças de estado, e são predicadas das afeições e, na medida em que os pensamentos são regidos pelas afeições, também dos pensamentos; mas as mudanças de estado dos pensamentos estão nessas afeições assim como as coisas particulares nas gerais, e são relativamente variações.