. ‘E cobriu-se inteiramente com um vestido’; que signifique o vero obscurecido, vê-se pela significação de ‘cobrir-se inteiramente’ ou ‘cobrir as suas faces com um vestido’, que é esconder, e assim obscurecer o vero que simulava provir do bem (n. 4858); e isso por causa da conjunção com Judá. Com efeito, quando as noivas se aproximavam pela primeira vez do noivo, elas se cobriam inteiramente com um vestido, como se leu a respeito de Rebeca quando ela veio a Isaque (Gn. 24:65), pelo que eram significadas as aparências do vero (ver n. 3207), visto que a esposa significa o vero, e o marido, o bem. E como o vero não se mostra qual ele é antes de ter sido conjungido ao seu bem, por isso, para que esse fato fosse representado, as noivas, à primeira vista do marido, cobriam-se inteiramente com um vestido. É semelhante aqui com Thamar, porquanto ela considerava Shelah, o filho de Judá, como seu marido; mas porque ela não foi dada a ele, no lugar dele ela considerava que o pai dele deveria prestar o levirato; é por isso que ela, assim como uma noiva, cobriu-se inteiramente com um vestido, mas não como uma prostituta, embora Judá tenha crido isso, porque nesses tempos as prostitutas tinham igualmente por costume cobrir inteiramente as suas faces, como se vê no vers. 15. Que Judá a tenha considerado como uma prostituta, era porque a nação judaica, que é aqui significada por Judá, não considerava os veros internos da Igreja Representativa de outro modo senão como se considera uma prostituta, razão por que também Judá se conjungira com ela como com uma prostituta, mas Thamar não se conjungira com ele dessa maneira. Como os veros internos jamais poderiam aparecer de outro modo a essa nação, é por isso que, aqui, por ‘cobriu-se inteiramente com um vestido’ é significado o vero obscurecido. E que o vero da igreja tenha sido obscurecido para eles, isso é representado ainda hoje por isto, que em suas Sinagogas eles se cubram de véus ou de vestidos [ou mantos]. A mesma coisa foi também representada por Moisés, quando a pele das faces dele irradiava, quando ele desceu do monte Sinai, que se cobriu com um véu todas as vezes que falava com o povo (Êx. 34:28 ao fim). Moisés representava a Palavra, que é chamada a Lei (ver o pref. ao capítulo 18 do Gn.); é por isso que algumas vezes se diz ‘a Lei e os Profetas’, como em Mt. 5:18; 11:13; 22:34, 38 [Em JFA, 22:36, 40], e algumas vezes ‘Moisés e os Profetas’, como em Lc. 16:29, 31; 24:27, 44; pela irradiação da pele das faces era representado o interno da Palavra, visto que a face é o interno (n. 358, 1999, 2434, 3527, 4066, 4796, 4797). Com efeito, como este interno é espiritual, ele está na luz do céu; que ‘velava sua face todas as vezes que ele falava ao povo’, representava que o vero interno lhes tinha sido coberto inteiramente e, assim, foi obscurecido, ao ponto que não podiam suportar coisa alguma da luz dele proveniente.