Texto
. ‘E a reputava por meretriz’; que signifique que ela não os considerava de outro modo, senão como o falso, vê-se pela significação de ‘meretriz’, que é o falso (n. 2466, 2729, 3399), assim, que a nação judaica, por causa da sua religiosidade, considerava o interno da igreja não de outro modo senão como o falso. Que a meretriz seja o falso, é porque o casamento representa o casamento celeste, que é o do bem e do vero; o marido é o bem, e a esposa, o vero, e daí, os filhos, os veros, e as filhas, os bens e, portanto, o genro e a nora, o sogro e a sogra, e também muitas outras afinidades são, segundo os graus, as coisas que pertencem ao casamento celeste. É por isso que os adultérios e as prostituições, porque são opostos, significam o mal e o falso; e também são efetivamente opostos, pois os que passam a sua vida no adultério e no meretrício nunca cuidam do bem e do vero; a causa é porque o amor conjugal genuíno descende do casamento celeste, isto é, do casamento do bem e do vero; mas os adultérios e meretrícios provêm da conjunção do mal e do falso, que vêm do inferno (n. 2727 ao 2759).
[2] Que a nação judaica tenha considerado, e também hoje considere os internos da igreja não diferentes dos falsos, é o que é significado pelo fato de Judá ter reputado Thamar, sua nora, não diferente de uma meretriz, e que com ela, como com uma meretriz tenha se conjungido; por tal origem dessa nação é representado de onde provém a sua religiosidade e qual é a sua qualidade. Que essa nação considere o interno da igreja como uma prostituta, ou seja, como o falso, vê-se manifestamente; por exemplo, se alguém lhes disser que é um interno da igreja, que o Messias, de quem se fala nos proféticos da Palavra e a quem, por isso, esperam, é o Senhor, eles rejeitam inteiramente isso como falso; se alguém lhes disser que é um interno da igreja, que o Reino do Messias não é mundano nem temporal, mas sim celeste e eterno, eles declaram também que isso é um falso; se alguém disser que os ritos da igreja deles tinham representado o Messias e o Seu Reino Celeste, isso eles não sabem o que seria; se alguém disser que o interno da igreja é o bem da caridade e o vero da fé na doutrina e, ao mesmo tempo, na vida, eles consideram isso não diferente de um falso; semelhantemente em todas as restantes coisas. E mais, a uma única proposição de que há um interno da igreja, eles riem estupidamente; a causa é porque eles estão unicamente nos externos, e de fato nos ínfimos dos externos, que consistem em amar as coisas terrenas, pois mais do que todos os outros eles estão na avareza, que é absolutamente terrena. Tais homens não podem de modo algum considerar de outro modo os interiores da igreja, pois estão mais afastados do que os restantes da luz celeste, assim, estão mais do que todos os outros em uma densa escuridão.