Texto
. ‘E o teu cajado que [está] na tua mão’; que signifique por seu poder, pelo poder desse vero, é o que se vê pela significação do ‘cajado’ [ou ‘vara’]476, que é o poder, do que se tratará no que segue; e pela significação da ‘mão’, que é também o poder (n. 876, 3091, 3387, 3563). Diz-se ‘que está na tua mão’, porque é significado o poder desse vero, a saber, do vero ínfimo, tal qual era na religiosidade da nação judaica, que é aqui Judá. Que o poder seja predicado do vero, foi visto (n. 3091, 3563). Na Palavra, muitas vezes é lembradoo cajado [ou vara], e é surpreendente que hoje dificilmente alguém saiba que pelocajado seja representada alguma coisa no mundo espiritual; do mesmo modo que Moisés recebia ordem, todas as vezes que eram feitos milagres, para que levantasse seu cajado, e que também assim eram feitos. Que isto tinha sido conhecido entre os gentios, pode-se ver pelas suas fábulas, nas quais os cajados [ou varas] são atribuídos aos magos. Que o ‘cajado’ signifique o poder, é porque é um sustentáculo [ou apoio]; com efeito, ele sustenta a mão e o braço e, por meio deles, todo o corpo; é por isso que o cajado reveste a significação dessa parte que ele sustenta mais proximamente, a saber, a mão e o braço; por uma e o outro, a saber, pela ‘mão’ e pelo ‘braço’ é significado, na Palavra, o poder do vero. Que a ‘mão’ e o ‘braço’ também correspondam a este poder no Máximo Homem, ver-se-á ao fim dos capítulos.
[2] Que pelo cajado [ou vara] seja representado o poder, é, como foi dito, evidente pelas coisas que, a respeito dele, são mencionadas em Moisés, a saber:
“que ele recebeu ordem de tomar uma vara com a qual haveria de fazer milagres; e que tomou a vara de Deus em sua mão” (Êx. 4:17, 20);
“que as águas feridas com a vara, no Egito, foram feitas sangue” (Êx. 7:15, 19);
“que pela vara estendida sobre os rios, produziram-se rãs” (Êx. 8:1 ao 11);
“que do pó tocado pela vara fizeram-se piolhos” (Êx. 8:12 ao 16);
“que pela vara estendida para o céu fez-se saraiva” (Êx. 9:23);
“que pela vara estendida sobre a terra foram produzidos gafanhotos” (Êx. 10:3 ao 21).
Como a ‘mão’ é o principal, pelo qual é significado o poder, e a ‘vara’ é o instrumental, é por isso também
“que milagres foram feitos quando a mão era estendida” (Êx. 10:12, 13);
“que pela mão levantada para o céu, feita-se escuridão sobre a terra do Egito” (Êx. 10:21, 22);
e
“[tendo sido] estendida a mão sobre o mar de Suph, por um vento oriental o mar ficou em seco; e, de novo, [tendo sido] estendida a mão, as águas voltaram” (Êx. 14:21, 26, 27).
[3] Além disso, a rocha de Horeb, tendo sido ferida pela vara, águas correram” (Êx. 17:5, 6; Nm. 20:7, 8, 9, 10). Quando
“Josué combatia contra Amalek, disse Moisés a Josué: Escolhe para nós varões, e sai, luta contra Amalek. Amanhã eu estarei sobre a cabeça da colina, e estará a vara de Deus em minha mão; e sucedeu [que], quando levantou Moisés a sua mão, prevaleceu Israel, e quando abaixou a sua mão, prevaleceu Amalek” (Êx. 17:11, 12).
Por essas passagens, é manifestamente claro que a ‘vara’, assim como a ‘mão’, tinha representado o poder e, no sentido supremo, a onipotência Divina do Senhor; e é também daí evidente que, nesse tempo, as coisas representativas tinham constituído os externos da igreja, e que os internos, que são as coisas espirituais e celestes tais quais estão no céu, lhes correspondiam, e que daí vinha a sua eficácia. Vê-se também a partir disso quão insensatos são aqueles que creem que, por infusão, houve algum poder na vara, ou na mão de Moisés.
[4] Que o ‘cajado’ [ou bastão] seja o poder, no sentido espiritual, é ainda evidente por muitas passagens nos Profetas, como em Isaías:
“Eis, o Senhor, JEHOVAH Zebaoth, que remove de Jerusalém o bastão e o cajado, todo bastão de pão, e todo bastão de água” (3:1);
o ‘bastão de pão’ está pelo sustentáculo e o poder proveniente do bem do amor; o ‘bastão de água’ está pelo sustentáculo e o poder pelo vero da fé. (Que o ‘pão’ seja o bem do amor, foi visto, n. 276, 680, 2165, 2177, 3464, 3478, 3735, 3813, 4211, 4217, 4735; e que a ‘água’, o vero da fé, n. 28, 680, 739, 2702, 3058, 3424.) O ‘bastão de pão’ significa a mesma coisa em Ezequiel, 4:16; 5:16; 14:3; Sl. 105:16.
[5] Além disso, em Isaías:
“Disse o SENHOR JEHOVIH Zebaoth: Não temas, Meu povo, habitante de Sião desde Asshur, que com a vara477te ferirá, e o bastão levantará sobre ti no caminho do Egito. [...] JEHOVAH excitará contra ele um flagelo, como a praga de Midian na rocha de Oreb, e o bastão dele sobre o mar, o qual levantará no caminho do Egito” (10:24, 26);
aí o ‘bastão’ está no lugar do poder proveniente dos raciocínios e dos conhecimentos, qual é o daqueles que raciocinam a partir das coisas do conhecimento contra os veros da fé, e a eles pervertem ou tornam nulos; é isto que é significado pela ‘vara com que Asshur ferirá’ e pelo ‘bastão que levantará no caminho do Egito’. Que ‘Asshur’ seja o raciocínio, foi visto (n. 1186); e que o ‘Egito’, o conhecimento, n. 1164, 1165, 1186, 1462.
[6] Semelhantemente em Zacarias:
“Será derrubada a soberba de Asshur, e o bastão do Egito se retirará” (10:11).
Em Isaías:
“Tu te fiaste em um bastão de caniço quebrado, sobre o Egito; sobre o qual quando alguém se apoia, entra na mão dele e a perfura” (36:6);
o ‘Egito’ está no lugar dos conhecimentos, como acima; o poder proveniente deles nas coisas espirituais é o ‘bastão de caniço quebrado’; a ‘mão em que ele entra e perfura’ é o poder oriundo da Palavra. No mesmo:
“Quebrou JEHOVAHo bastão dos não probos, a vara dos dominadores” (14:5);
o ‘bastão’ e a ‘vara’ evidentemente estão pelo poder.
[7] Em Jeremias:
“Condoei-vos todos dos arredores de Moab; ... dizei: Como se quebrou o bastão de força, o bastão ornado?” (48:17);
o ‘bastão de força’ está pelo poder oriundo do bem, e o ‘bastão ornado’ está pelo poder oriundo do vero.
[8] Em Oseias:
“O meu povo interroga a sua madeira, e o seu bastão lhe responde, porque o espírito de escortação o seduziu” (4:12);
‘interrogar a madeira’ está por consultar os males; o ‘bastão responde’ está pelo falso daí proveniente, o qual tem o poder oriundo do mal que eles confirmam; o ‘espírito de escortação’ está pela vida do falso proveniente do mal. Em Davi:
“Ainda quando andasse no vale de sombra, não temerei para mim o mal, porque Tu [estás] comigo; a tua vara e o teu cajado me consolarão” (Sl. 23:4);
‘a tua vara e o teu cajado’ está pelo Divino Vero e Bem, aos quais pertence o poder. No mesmo:
“Não descansará478 o cajado da impiedade sobre a sorte dos justos” (Sl. 105:3).
[9] No mesmo:
“Esmigalhá-los-ás com vara de ferro, como os vasos de oleiro, despedaçá-los-ás” (Sl. 2:9);
a ‘vara de ferro’ está pelo poder do vero espiritual no natural, porquanto todo vero natural em que está o vero espiritual tem o poder; o ‘ferro’ é o vero natural (n. 425, 426). Semelhantemente em João:
“Quem vencer, e tiver guardado até o fim as Minhas obras, a ele darei poder sobre as nações, para que as apascente com uma vara de ferro, como vasos de oleiro serão esmigalhados” (Ap. 2:26, 27); e também no mesmo, 12:5; 19:15.
[10] Como o bastão [ou cajado] representava o poder do vero, isto é, o poder do bem por meio do vero, por isso os reis tinham cetros, e os cetros tinham o formato de bastões curtos, pois pelos reis era representado o Senhor quanto ao Vero; a própria Realeza é o Divino Vero (n. 1672, 1728, 2015, 2069, 3670, 4581); o cetro é o poder que lhes pertence não pela dignidade, mas pelo vero que deve mandar, e não há outro vero senão o vero que provém do bem, assim, principalmente o Divino Vero, e com os cristãos o Senhor, de Quem procede todo Divino Vero.