Texto
. ‘E foi’; que signifique a vida, é o que se vê pela significação de ‘ir’, que é viver (n. 3335, 3690). Que no sentido interno ‘ir’ seja viver, é o que na realidade se mostra muito afastado ou muito abstraído das ideias do pensamento nas quais está o homem, e isso por essa causa, porque o homem está no espaço e no tempo, e desde o espaço e tempo formara as ideias de seu pensamento, assim como a ideia de ir, partir, caminhar, peregrinar, mover-se. Essas ações, porque existem no espaço e também no tempo, e portanto o espaço e o tempo foram ligados às ideias que delas se tem, é por isso que o homem pode penosamente compreender que tais ações significam os estados da vida; mas quando a ideia se desliga ou é retirada deles, então resulta o espiritual que é significado; pois no mundo espiritual, ou no céu, não entra ideia alguma a respeito do espaço e do tempo, mas no lugar dela as que dizem respeito ao estado da vida (n. 1274, 1382, 2625, 2788, 2837, 3356, 3404, 3827, 4814). De fato é evidente aos espíritos e aos anjos que eles também progridem e se movem de lugar em lugar, e, realmente, absolutamente do modo como se mostra aos homens; mas são, entretanto, mudanças do estado da vida que produzem essa aparência. Parece-lhes também, como aos homens, que eles vivem por si próprios, quando, todavia, não vivem por si, mas sim pelo Divino do Senhor, do Qual procede o todo da vida. Essas aparências, quando estão entre os anjos, chamam-se reais, porque aparecem como se o fossem realmente.
[2] Falei algumas vezes com os espíritos a respeito de tais aparências, e os que não estão no bem nem, por conseguinte, no vero não quiseram ouvir [dizer] que seja uma aparência que eles vivam por si [a se], pois querem viver por si; mas, não só se lhes mostrou por viva experiência que eles não vivem por si, e que as progressões de lugar em lugar são mudanças e progressões do estado da vida; como também foi dito que pode ser suficiente para eles não saber outra coisa senão que a vida lhes vem deles mesmos [ex se], e que eles não poderiam ter mais se a tivessem neles a partir deles mesmos; mas que, apesar disso, é preferível saber de que modo a coisa acontece, porque então estariam no vero e — se estão no vero, também estão na luz do céu, pois a luz do céu é o vero mesmo que procede do Divino do Senhor — assim também não reivindicariam para si o bem, eassim o mal também não se lhes aderiria. Os anjos estão nesse vero não somente pelo conhecimento, mas também pela percepção.
[3] Que os tempos e os espaços no mundo espiritual sejam estados da vida, e que o todo da vida seja procedente do Senhor, pode-se ver por esta experiência: Cada espírito e cada anjo vê à direita os bons e à esquerda os maus, e isso para qualquer plaga que se volte; se olha para o oriente, os bons e os maus lhe aparecem assim, semelhantemente se para ocidente, e também se para o sul ou para o norte; o mesmo acontece com cada espírito ou cada anjo; por exemplo, se houvesse dois, e um deles olhasse para o oriente e o outro para o ocidente, ainda assim para um e outro apareceriam os bons à direita e os maus à esquerda; apareceria semelhantemente para aqueles que estão afastados daqueles que são vistos, ainda mesmo que eles virassem as costas a estes. Daí se pode manifestamente concluir que o todo da vida procede do Senhor, ou que o Senhor esteja na vida de cada um, pois o Senhor ali aparece como sol, e pela direita d’Ele estão os bons, ou as ovelhas, e pela Sua esquerda estão os maus, ou os bodes; daí é semelhante com cada um, por causa do que foi dito: porque o Senhor é o todo da vida. Isso não pode se mostrar ao homem senão como um paradoxo, porque o homem, enquanto está no mundo, tem suas ideias a partir das coisas mundanas, consequentemente, a partir do espaço e do tempo, mas no mundo espiritual, como dito acima, não há ideias provenientes do espaço e tempo, mas sim do estado das afeições e, daí, dos pensamentos; disso também vem que os espaços e tempos, na Palavra, signifiquem estados.