. ‘E vestiu as vestimentas de sua viuvez’; que signifique a inteligência, vê-se pela significação da ‘viúva’, que é aquele que está no vero sem o bem, mas ainda assim deseja ser conduzido pelo bem (n. 4844); e pela significação das ‘vestimentas’, que são os veros (n. 297, 2576, 4545, 4763). Que essas coisas, tomadas juntamente, signifiquem a inteligência, é porque nenhuma outra coisa senão os veros fazem a inteligência, porquanto aqueles que estão nos veros provenientes o bem, esses estão na inteligência. Com efeito, a mente intelectual está na luz do céu por meio dos veros provenientes do bem, e a luz do céu é a inteligência, porque ela é o Divino Vero proveniente do Divino Bem. Além disso, que ‘vestir as vestimentas da viuvez’ signifique aqui a inteligência, vem isso de que a viúva, no sentido genuíno, é quem está no vero e deseja ser conduzido, por meio do bem, ao vero da inteligência — como também acima (n. 4844) se demonstrou — assim, ser conduzido à inteligência. [2] Para que se saiba como acontece com isto, deve-se dar umas poucas explicações: O vero no homem não é o vero da inteligência antes que esse vero seja conduzido por meio do bem; e quando ele é conduzido por meio do bem, então pela primeira vez se torna o vero da inteligência; com efeito, o vero não tem vida desde si, mas sim desde o bem; e o vero tem a vida desde o bem quando então se vive segundo o vero, porque então ele se infunde no querer do homem, e pelo querer em seu fazer, por conseguinte, no homem interno. O vero que o homem somente sabe ou compreende, este permanece fora da vontade, assim, fora de sua vida, pois o querer do homem é a sua vida; quando, porém, o homem o quer, então o vero está no limiar de sua vida, mas quando a partir do querer ele o faz, então o vero está no homem todo; e quando ele o faz frequentemente, então não só ele se torna recorrente em razão do hábito, mas também por causa da afeição, e assim, a partir do livre. Examine, quem se agradar, se alguma coisa pode imbuir o homem a não ser o que ele faz a partir do querer; o que ele somente pensa e não faz, e mais ainda, o que ele pensa e não quer fazer, isso não é outra coisa senão o que está fora do homem, e também se dissipa como a palha ao menor vento, e também assim se dissipa na outra vida; daí se pode saber o que é a fé sem as obras. A partir dessas explicações, vê-se claramente o que é o vero da inteligência, a saber, que é o vero que procede do bem. O vero é predicado do entendimento, e o bem, da vontade, ou, o que é o mesmo, o vero pertence à doutrina e o bem pertence à vida.