. ‘Eis [que] enviei este cabrito’; que signifique ser o bastante que haja uma prenda, vê-se pela significação do ‘cabrito das cabras’, que é a prenda do amor conjugal ou da conjunção (n. 4870); aqui é apenas uma prenda, pois o cabrito não foi aceito, pela causa de que antes se tratou, que não havia o conjugal; e porque vem dessa causa, é por isso que por ‘tu não a achaste’ é significado ‘se não houver o conjugal’; isso também flui da indiferença (n. 4897). Explicar ulteriormente essas coisas é suspender o entendimento pela causa de que acima se tratou (n. 4893), a saber, que cairiam na sombra do entendimento, e o que cai nessa sombra também cai na não fé. Por exemplo, que deve haver o conjugal para que haja igreja, a saber, o conjugal entre o vero e o bem, e também que deve haver o interno no externo, e que sem essas duas coisas nada há da igreja. Aqui, no sentido interno se trata dessas duas coisas tais quais elas foram na Igreja Judaica, a saber: que relativamente a essa nação não houve interno algum no externo, mas relativamente aos estatutos mesmos e às leis mesmas, abstratamente da nação, que o interno tinha estado no externo. [2] Quem hoje crê outra coisa, senão que na nação judaica tenha existido igreja, e mesmo, que essa nação tenha sido eleita e amada de preferência às outras, e isso principalmente por essa razão, porque foram feitos tantos e tão grandes milagres junto a ela, e porque tantos profetas lhe foram enviados, e também porque a palavra estava com ela, quando, todavia, essa nação em si nada teve de igreja, pois não esteve em nenhuma caridade, não soube absolutamente o que é a genuína caridade, também não esteve em nenhuma fé no Senhor; ela soube que Ele devia vir, mas para elevá-los acima de todas as outras no universo; porém, como isso não foi feito, ela O rejeitou inteiramente, nada quis saber de Seu Reino celeste. Essas coisas, que são as coisas internas da igreja, essa nação nem sequer pela doutrina reconheceu, e menos ainda pela vida. Dessas coisas só se pode concluir que nada da igreja tenha existido nessa nação. [3] Uma coisa é que a igreja esteja junto a uma nação [apud gentem], e outra coisa é que a igreja esteja na nação [in gente], como, por exemplo, a Igreja Cristã está junto àqueles que têm a Palavra e a partir da doutrina pregam o Senhor, mas ainda assim nada da igreja há neles a não ser que estejam no casamento do bem e do vero, isto é, a não ser que estejam na caridade para com o próximo e, daí, na fé, assim, a não ser que os internos da igreja estejam nos externos. Aqueles que estão somente nos externos, separados dos internos, não há neles igreja; aqueles também que estão na fé separada da caridade, nem neles há igreja; aqueles que reconhecem o Senhor pela doutrina e não pela vida, não há também neles a igreja. Daí é evidente que uma coisa é que a igreja esteja junto a uma nação [apud gentem], e outra coisa que ela esteja na nação [in gente]. [4] No sentido interno deste capítulo, trata-se da igreja junto a nação Judaica e nessa nação. A qualidade da igreja ‘junto a essa nação’ é descrita por meio da conjunção de Thamar com Judá sob pretexto do levirato, e a qualidade da igreja ‘nessa nação’ fora descrita pela conjunção de Judá com Thamar como com uma meretriz; mas expor especificamente essas coisas seria suspender o entendimento pela causa de que acima se tratou, pois cairiam, como foi dito, na sombra do entendimento. Que a sombra do entendimento esteja nessas coisas, pode-se ver por isto, que hoje dificilmente alguém saiba o que é o interno da igreja. Que seja a caridade para com o próximo no querer e, pelo querer, no agir e, daí, a fé no perceber, quem sabe isso? Como isso não é conhecido e, mais ainda, como é negado, como se faz por aqueles que fazem salvífica a fé sem as obras da caridade, em que sombras não cairiam essas coisas que tratam, aqui, no sentido interno, da conjunção do interno com o externo da igreja junto a nação judaica e nessa nação? Aqueles que não sabem que seja este o interno e, portanto, o essencial da igreja, ficam muito afastados do primeiro grau para entender tais coisas, por conseguinte, muito distantes de inúmeras e inefáveis coisas que estão no céu, onde as que pertencem ao amor ao Senhor e ao amor para com o próximo são o todo da vida, por conseguinte o todo da sabedoria e da inteligência.