Texto
. ‘Aconteceu, cerca de três meses’; que signifique um estado novo, é o que se vê pela significação de ‘três’, que é o completo e, daí, o último e ao mesmo tempo o primeiro, ou o fim e ao mesmo tempo o começo (n. 1825, 2788, 4495); e pela significação do ‘mês’, que é o estado (n. 3811). Com efeito, no sentido interno, todos os tempos significam estados, assim como a hora, o dia, a semana, o mês, o ano, o século, e também os tempos dos tempos, como por exemplo o meio-dia, a tarde, a noite, a manhã, que são os tempos do dia, assim como o verão, o outono, o inverno, a primavera, que são os tempo do ano; e também os tempos da idade, como a infância e a meninice, a adolescência, a idade adulta, a velhice, todos esses tempos e vários outros significam estados (o que é o estado, foi visto, n. 4850).
[2] Que os tempos signifiquem estados, é porque o tempo não existe na outra vida. Na realidade, a progressão da vida dos espíritos e dos anjos aparece como no tempo, mas é nulo o pensamento a partir deles como é com os homens no mundo; mas o pensamento é proveniente dos estados da vida, e isso sem a noção dos tempos. É uma outra causa, porque as progressões de sua vida não se distinguem em idades, pois ali não envelhecem, e porque ali não há dias e anos, porque ali o Sol, que é o Senhor, está sempre levantado e nunca se deita, daí vem que nenhuma noção de tempo entra nos pensamentos deles, mas sim uma noção do estado e de suas progressões; a partir dessas coisas que são e existem diante dos sentidos, obtém-se algumas noções.
[3] Essas coisas não podem não se mostrar como um paradoxo, mas é por esta causa, porque o homem, em cada uma das ideias de seu pensamento, tem adjunta alguma coisa do tempo e do espaço; daí a sua memória e a sua reminiscência, e também daí o seu pensamento inferior, cujas ideias são denominadas materiais. Mas essa memória, da qual provêm tais ideias, descansa na outra vida; estão ali na memória interior e nas ideias do pensamento dessa memória; o pensamento proveniente dessa memória não tem tempos nem espaços adjuntos a si, mas no lugar deles tem os estados daqueles e progressões dos estados; daí também vem que eles correspondam, e porque correspondem, que os tempos na Palavra signifiquem os estados. Que o homem tenha uma memória exterior, que lhe é própria no corpo, e que ele também tenha uma memória interior que é própria de seu espírito, foi visto (n. 2469 ao 2494).
[4] Que ‘cerca de três meses’ signifique um estado novo, é porque pelos meses, nos quais os tempos no mundo foram também discriminados, é significado o estado, e porque por ‘três’ é significado o último e, ao mesmo tempo, o primeiro, ou o fim e ao mesmo tempo o começo, como dito acima. Como há, no mundo espiritual, uma contínua progressão dos estados de um ao outro, consequentemente, em cada último estado, ou no fim, há um primeiro ou o começo, de onde resulta a continuidade, é por isso que por ‘cerca de três meses depois’ é significado um estado novo. Acontece também o mesmo na igreja, que é o mundo espiritual ou o Reino do Senhor na terra; o último da igreja em uma nação é sempre o primeiro da igreja em outra. Como o último é assim continuado no primeiro, por isso se diz algumas vezes do Senhor, que Ele é o Último e o Primeiro, como em Is. 41:4; 44:6; Ap. 21:6; 22:13, e por coisa semelhante, no sentido relativo, é significada a perpetuidade e, no sentido supremo, a eternidade.