Texto
. ‘E esteve na casa do seu senhor egípcio’; que signifique a fim de que fosse iniciado no bem natural, é o que se vê pela significação de ‘senhor’, que é o bem, do que se tratará no que segue; e pela significação de ‘egípcio’, que é o conhecimento no geral e, por isso, o natural (n. 4967); que ‘estar na casa’ seja ser iniciado, é porque a ‘casa’ é a mente em que está o bem (n. 3538), aqui, a mente natural; e, além disso, a casa é predicada a respeito do bem (n. 3652, 3720). Há no homem uma mente natural e uma mente racional; a mente natural está em seu homem externo, e a mente racional, em seu homem interno. Os conhecimentos são os veros da mente natural, que se dizem estar ali em sua casa quando ali eles estão conjungidos ao bem, pois o bem e o vero constituem juntos uma só casa, como o marido e a esposa; mas os bens e os veros de que se trata aqui são interiores, pois correspondem ao celeste do espiritual proveniente do racional, que é representado por José. Os veros interiores correspondentes no natural são as aplicações aos usos, e os bens interiores ali são os usos.
[2] Muitas vezes, na Palavra, se diz ‘Senhor’, mas quem não conhece o sentido interno, imagina que por Senhor não se entende outra coisa mais do que o que se entende na linguagem comum quando se menciona senhor; mas na Palavra não se diz em parte alguma Senhor quando não se trata do bem, o mesmo acontece com JEHOVAH; mas quando se trata do vero se diz Deus e também Rei; daí vem que por ‘senhor’ é significado o bem; é o que se pode ver por estas passagens: Em Moisés:
“JEHOVAH [é] vosso Deus, Ele [é] o Deus dos deuses e Senhor dos senhores” (Dt. 10:17);
em Davi:
“Confesseis JEHOVAH, ...confesseis o Deus dos deuses; ... confesseis o Senhor dos senhores” (Sl. 136:1, 2, 3);
onde JEHOVAH, ou o Senhor, é dito ‘o Deus dos deuses’ por causa do Divino Vero que procede d’Ele, e ‘o Senhor dos senhores’ por causa do Divino Bem que está n’Ele.
[3] Semelhantemente em João:
“O Cordeiro os vencerá, porque é o Senhor dos senhores; e Rei dos reis” (Ap. 17:14);
e no mesmo:
“Aquele que está sentado sobre o cavalo branco tem sobre a Sua vestimenta e sobre a Sua coxa um nome escrito: Rei dos reis e Senhor dos senhores” (Ap. 19:16).
Que o Senhor seja chamado Rei dos reis, é por causa do Divino Vero, e Senhor dos senhores, por causa do Divino Bem, é o que se vê claramente por cada palavra dessa passagem; o ‘nome escrito’ é a sua qualidade (n. 144, 145, 1754, 1896, 2009, 2724, 3006); a ‘vestimenta sobre a qual ele foi escrito’ é o vero da fé (n. 1073, 2576, 4545, 4763); a ‘coxa’ sobre qual essa qualidade também foi escrita é o bem do amor (n. 3021, 4277, 4280, 4575); de onde resulta ainda evidentemente que o Senhor, por causa do Divino Vero, se diz Rei dos reis, e por causa do Divino Bem, Senhor dos senhores. Que o Senhor em razão do Divino Vero se diz Rei, foi visto (n. 2015. 2069. 3009, 3670, 4581).
[4] Daí também se vê claramente o que se entende pelo ‘Cristo do Senhor’ em Lucas:
“A Simeão o Espírito Santo respondeu que ele não veria a morte antes que visse o Cristo do Senhor” (2:26);
o ‘Cristo do Senhor’ é o Divino Vero do Divino Bem, já que ‘o Cristo’ é o mesmo que o Messias, e o Messias é o Ungido ou o Rei (n. 3008, 3009); aí, o Senhor é JEHOVAH; na Palavra do Novo Testamento, em nenhuma parte se diz JEHOVAH, mas em vez de JEHOVAH se diz Senhor e Deus (ver n. 2921)484, como também em Lucas:
“Jesus disse: Como dizem que o Cristo [é] o filho de Davi, quando o próprio Davi disse no Livro dos Salmos: Disse o Senhor ao meu Senhor: Assenta-te à Minha direita” (20:41, 42);
essa mesma passagem é assim em Davi:
“Dito de JEHOVAH ao meu Senhor: Assenta-te à Minha destra” (Sl. 110:1).
Que JEHOVAH, em Davi, se diz o Senhor no Evangelista, é isso evidente; aí, o ‘Senhor’ está pelo Divino Bem do Divino Humano; a onipotência é significada por ‘assentar-se à direita’ (n. 3387, 4933 no fim).
[5] Quando o Senhor estava no mundo, Ele era o Divino Vero; mas quando Ele foi glorificado, isto é, quando fez o Humano em Si Divino, então Ele se tornou o Divino Bem, de quem em seguida procedeu o Divino Vero. Daí vem que os discípulos, depois da ressurreição, não O chamaram Mestre, como antes, mas Senhor, como se vê em João (cap. 21:7, 12, 15, 16, 17, 20) e também nos outros Evangelistas. O Divino Vero, que foi o Senhor quando ele estava no mundo, e que em seguida procedeu d’Ele, isto é, do Divino Bem, é também chamado o Anjo da Aliança em Malaquias:
“Imediatamente virá ao seu templo o Senhor a Quem vós buscais, e o Anjo da Aliança a Quem vós desejais” (3:1).
[6] Como pelo ‘Senhor’ se entende o Divino Bem, e pelo ‘Rei’, o Divino Vero, por isso, onde se diz do Senhor que o Domínio e o Reino lhe pertencem, o domínio se diz do Divino Bem, e o reino se diz do Divino Vero; é também por isso que o Senhor é chamado o ‘Senhor das nações’ e ‘Rei dos povos’, porque as ‘nações’ significam os que estão no bem, e os ‘povos’, os que estão no vero (n. 1259, 1260, 1849, 3581).
[7] O bem é dito ‘senhor’ relativamente ao servo, e o bem é dito ‘pai’ relativamente ao filho, como em Malaquias:
“O Filho honrará o Pai, e o servo ao seu Senhor; que se Pai Eu [sou], onde [está] a Minha honra? e se Senhor Eu [sou], onde [está] o temor de Mim?” (1:6);
e em Davi:
“[...] como servo foi vendido: JOSÉ. [...] o discurso de JEHOVAH o provou. Enviou o Rei [e] o soltou; o dominador das nações o abriu, pô-lo Senhor da sua casa, e o que domina sobre toda a sua posse” (Sl. 105:17, 19, 20, 21);
que ali por José se entenda o Senhor, é evidente por cada palavra; o Senhor ali é o Divino Bem do Divino Humano.