. ‘E o encarregou sobre a sua casa’; que signifique que o bem se aplicou a ele, vê-se pela significação do ‘senhor’, que é ‘quem encarregou’, que é o bem, de que acima se tratou (n. 4973); e pela significação de ‘encarregou sobre a sua casa’, que é aplicar-se a ele, a saber, ao conhecimento ou ao vero natural. Que seja esse o sentido, é evidente pelas coisas que seguem, onde se diz que tudo que era dele deu-o na sua mão, pelo que é significado que tudo que era seu estava como que em poder dele. Com efeito, o bem é o senhor e o vero é o servidor [ou ministro]; quando se diz do senhor que ele tenha encarregado o servidor [ou ministro], ou seja, [quando se diz] do bem que ele encarregou o vero, no sentido interno não é significado que lhe tenha cedido o domínio, mas que ele se aplicara, pois no sentido interno a coisa é percebida como ela é em si, mas no sentido da letra a coisa é exposta segundo a aparência. Com efeito, o bem tem sempre o domínio, mas ele se aplica a fim de que o vero lhe seja conjungido. Quando o homem está no vero, o que acontece antes que seja regenerado, então dificilmente ele conhece alguma coisa a respeito do bem, pois o vero influi pela via externa, ou sensual, mas o bem pela via interna. O que influi pela via interna, isto o homem sente, mas o que influi pela via interna não sente antes de ter sido regenerado; é por isso que, a não ser que no estado anterior ocorra como que um domínio para o vero, ou a não ser que o bem se aplicasse assim, nunca ao bem seria apropriado o vero. Isto é o mesmo como aquilo que muitas vezes se demonstrou, a saber, que o vero esteja aparentemente no primeiro lugar ou seja, por assim dizer, o senhor quando o homem está sendo regenerado, mas que o bem está manifestamente no primeiro lugar e é senhor quando o homem foi regenerado, coisas a respeito das quais se viu (n. 3539, 3548, 3536, 3563, 3570, 3576, 3603, 3701, 4925, 4926, 4930).