. ‘E a esposa do senhor dele levantou os seus olhos para José’; que signifique o vero natural não espiritual adjunto ao bem natural, e a sua percepção, é o que se vê pela significação da ‘esposa’, que é o vero adjunto ao bem (n. 1468, 2517, 3236, 4510, 4823), aqui é o vero natural não espiritual adjunto ao bem natural, porque se trata daquele vero e deste bem; esse bem, ao qual foi conjunto esse vero, é aqui o ‘senhor’ (n. 4973). E é o que também se vê pela significação de ‘levantar os olhos’, que é o pensamento, a intenção e, também, a percepção (n. 2789, 2829, 3198, 3202, 4339). [2] Aqui, pela ‘esposa’ é significado o vero natural, mas não o vero natural espiritual, e pelo ‘marido’, que aqui é o ‘senhor’, é significado o bem natural, mas não o bem natural espiritual. Deve-se, portanto, explicar o que é o bem e vero natural não espiritual, e o que é o bem e vero natural espiritual. O bem no homem é de uma dupla origem, a saber, vem do hereditário e daí do que é adquirido, e vem da doutrina da fé e da caridade, entre os gentios, da religiosidade. O bem e vero que provém da primeira origem é o bem natural não espiritual; mas o bem que provém desta segunda origem é o bem natural espiritual; de uma semelhante origem é o vero, porque todo bem tem adjunto a si o seu vero. [3] O bem natural proveniente da primeira origem, isto é, do hereditário e do que é adquirido daí, tem muitas afinidades com o bem natural da segunda origem, isto é, com o bem natural que provém da doutrina da fé e da caridade e da religiosidade, mas somente na forma externa; na forma interna eles diferem totalmente. O bem natural proveniente da primeira origem pode ser comparado ao bem que também existe nos animais que são mansos; mas o bem natural da segunda origem é próprio ao homem que age a partir da razão e sabe por ela dispensar diversamente o bem segundo os usos; ensina-se essa dispensação pela doutrina do justo e do equitativo, e em um grau superior, pela doutrina da fé e da caridade, e essa doutrinatambém se confirma, em muitos pontos, pela razão, naqueles que são verdadeiramente racionais. [4] Aqueles que fazem o bem da primeira origem são levados como que por um instinto cego aos exercícios da caridade; mas aqueles que fazem o bem da segunda origem são levados por um dever interno e como que visualmente a eles. Em uma palavra, os que fazem o bem da primeira origem não o fazem por alguma consciência do justo e do equitativo, e fazem menos ainda por alguma consciência do vero e do bem espirituais; mas os que fazem o bem da segunda origem o fazem pela consciência — ver as coisas que anteriormente (n. 3040, 3470, 3471, 3518) foram ditas a respeito disso, e as que se seguem (n. 4992). Mas quanto ao modo como essas coisas acontecem, ele não pode de modo algum ser explicado a ponto de ser compreendido, pois qualquer um que não é espiritual, ou não foi regenerado, vê o bem pela sua forma externa; e isto por essa causa, porque ele não sabe o que é a caridade, nem o que é o próximo; e que não saiba estas coisas, é também a causa porque não estão em nenhuma doutrina da caridade. Na luz do céu essas coisas aparecem muito distintamente e, por isso, também distintamente entre os espirituais (ou regenerados), porque estes estão na luz do céu.