Texto
. ‘E disse: Deita-te comigo’; que signifique que cobiçava a conjunção, vê-se pela significação de ‘deitar comigo’, que é a conjunção, a saber, do bem natural espiritual, que agora é ‘José’, com o vero natural não espiritual, que é a ‘esposa do seu senhor’, mas uma conjunção ilegítima. As conjunções do bem com o vero e do vero com o bem, na Palavra, são descritas por meio de casamentos (n. 2727 ao 2759, 3132, 3665, 4434, 4837); daí vem que as conjunções ilegítimas são descritas por meio de meretrícios. Aqui, pois, a conjunção do vero natural não espiritual com o bem natural espiritual é descrita por meio do fato de que a esposa do senhor dele queria se deitar com ele. A conjunção desse vero e desse bem não existe de forma alguma nos internos, mas somente nos externos, nos quais se mostra como se fosse uma conjunção, mas é apenas uma afinidade; vem daí também que ela o segurou pela vestimenta dele, e que ele deixou a vestimenta na mão dela, visto que pela ‘vestimenta’, no sentido interno, é significado o externo, por meio do qual há aquilo que faz a vez da conjunção, ou seja, por meio do qual há uma afinidade (como se verá abaixo nos vers. 12, 13).
[2] Que sejam significadas essas coisas, não se pode ver enquanto a mente ou o pensamento for mantido nos históricos, pois então nada se pensa senão a respeito de José, da esposa de Potifar, da fuga de José, que deixa a vestimenta. Mas se a mente ou o pensamento se mantivesse nas coisas que são significadas por José, pela esposa de Potifar e pela vestimenta, então se aperceberia que se trata aqui também de uma sorte de conjunção espiritual ilegítima; e então a mente ou o pensamento pode ser mantida no que é significado se somente se crer que a Palavra Histórica não é Divina pelo meramente histórico, mas sim por aquilo que no histórico é espiritual e Divino; e se isso se cresce, saber-se-ia que o espiritual e o Divino nesse histórico tratam do bem e vero que pertence à igreja e ao Reino do Senhor, e no sentido supremo, que eles tratam do Senhor mesmo. Quando o homem chega a outra vida, o que sucede logo depois da morte, se está entre os que são elevados ao céu, deve saber que nada reterá dos históricos da Palavra, e sequer saberá alguma coisa a respeito de José, Abraão, Isaque e Jacó, mas somente a respeito das coisas espirituais e Divinas, que aprendera da Palavra e que foram aplicadas à sua vida; tais são, pois, as coisas que existem interiormente na Palavra e que são chamadas o seu sentido interno.