Texto
. ‘Para estar com ela’; que signifique para não ser assim unido486, vê-se pela significação de estar com alguma [mulher], que é estar mais estreitamente conjungido, ou unido. Que ‘estar’ seja estar unido, é porque o ser mesmo de uma coisa é o bem, e todo bem pertence ao amor, que é a conjunção espiritual ou a união. Daí, no sentido supremo, o Senhor é chamado o Ser ou JEHOVAH, porque d’Ele mesmo procede todo bem que pertence ao amor ou à conjunção espiritual. Como o céu faz um pelo amor procedente d’Ele, e o recíproco n’Ele por meio da recepção e do amor mútuo, por isso é chamado casamento, pelo que é. Aconteceria coisa semelhante com a igreja, se nela o amor e a caridade fossem o seu ser; onde, portanto, não há a conjunção ou a união, aí não há o ser, pois a menos que houvesse alguma coisa para reduzir a um, ou seja, para unir, o todo se dissolveria ou se extinguiria.
[2] Assim, na sociedade civil, onde cada um é para si e nenhum é pelo outro a não ser por causa de si, se não houvesse leis que unissem, e o temor de perder o ganho, a honra, a reputação e a vida, a sociedade seria inteiramente dissipada. Eis por que o ser de tal sociedade é também a conjunção, ou a união [adunatio], mas somente nos externos, enquanto, relativamente aos internos, com ela não há o ser. É também por isso que tais [homens], na outra vida, são mantidos no inferno, e lá de forma semelhante eles são contidos vinculados por meio dos externos, mormente pelos temores; mas todas as vezes que esses vínculos são relaxados, um se precipita sobre o outro para destruí-lo e nada mais ardentemente deseja do que extingui-lo completamente. Mas é diferente no céu, onde a conjunção é interna pelo amor ao Senhor e, daí, pelo amor mútuo; ali, quando são relaxados os vínculos externos, mais estreitamente são conjungidos pelo mútuo; e porque assim se é reconduzido mais para perto do Ser Divino, que procede do Senhor, estão mais interiormente na afeição e, por isso, no livre, consequentemente, na bem-aventurança, na felicidade e no regozijo.