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Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

. ‘E segurou-o pela vestimenta dele’; que signifique que o vero não espiritual se aplicava ao último do vero espiritual, vê-se pela representação da ‘esposa de Potifar’, de quem são ditas estas palavras, que é o vero natural não espiritual (n. 4988); pela significação aqui de ‘segurar’, que é aplicar-se; e pela significação da ‘vestimenta’, que é o vero (n. 1073, 2576, 4545, 4763), aqui, o último do vero espiritual que, neste estado pertence a José, pois aqui José é o bem natural espiritual (n. 4988, 4992). Que o vero desse bem seja aquele com o qual o vero natural não espiritual quis ser conjungido, é evidente pela série das coisas no sentido interno.
[2] Porém, o que é e o que envolve que o vero natural não espiritual queira ser conjungido com o vero natural espiritual, é hoje um arcano, principalmente por essa causa, porque poucos estão solícitos e querem saber o que é o vero espiritual e o que é o vero não espiritual, e de tal modo não estão solícitos a respeito deste, que dificilmente querem ouvir mencionar o espiritual. Quando é somente nomeado, sobrevém imediatamente alguma coisa tenebrosa e então ao mesmo tempo triste, e causa náusea e assim é rejeitado. Que assim aconteça, é também o que se me mostrou: Aproximaram-se espíritos do mundo cristão enquanto a minha mente estava em tais assuntos, e então eles foram postos no estado em que estiveram no mundo; eles, somente pelo pensamento a respeito do bem e do vero espirituais, não apenas foram afetados de tristeza, mas também, pela aversão a tal assunto, foram tomados de repugnância, que eles diziam que sentiam consigo alguma coisa semelhante ao que, no mundo, excita o vômito; mas foi-me permitido dizer-lhes que isso vinha disto: que as suas afeições tinham somente estado nas coisas terrestres, corporais e mundanas, e que o homem, quando está somente nessas coisas, então as que dizem respeito ao céu lhe causam náuseas; e que tenham frequentando os templos em que a Palavra era pregada, não por algum desejo de saber as coisas do céu, mas por uma outra cupidez contraída desde o tempo da infância. Daí ficou evidente qual é hoje o mundo cristão.
[3] A causa, em geral, vem de que a Igreja Cristã hoje prega a fé só, mas não a caridade, e assim, a doutrina, mas não a vida; e quando a igreja não prega a vida, o homem não chega a nenhuma afeição do bem, e quando não está em nenhuma afeição do bem, também não está em nenhuma afeição do vero. Daí resulta que é, na maior parte, contra o prazer da vida deles ouvir alguma coisa sobre as coisas do céu mais do que o que se conheceu desde a infância.
[4] Todavia, a coisa acontece assim: que o homem esteja no mundo para ser iniciado, por meio dos exercícios ali, nas coisas pertencentes ao céu, e que a vida dele no mundo mal se compara a um instante em relação à vida depois da morte, pois esta vida é eterna; mas poucos são os que creem que viverão depois da morte, e por isso também as coisas celestes são pouca coisa para eles. No entanto, isso posso asseverar, que o homem imediatamente depois da morte esteja na outra vida, e que ali a sua vida no mundo continua inteiramente, e seja tal qual ela fora no mundo. Isto posso asseverar porque o sei; com efeito, conversei com quase todos que conheci na vida do corpo, depois de terem deixado esta vida; e por isso me foi dado conhecer por uma viva experiência qual sorte em que cada um permanece, a saber, que a sorte é de acordo com a vida de cada um. Mas os que são tais nem sequer nissocreem. Contudo, o que é e o que envolve que o vero natural não espiritual queria se conjungir com o vero natural espiritual, coisas que são significadas por isso, que segurou José pela vestimenta, dir-se-á logo nas coisas que seguem.

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