Texto
. ‘E aconteceu que ao ouvir ele’; que signifique quando ele apercebeu, vê-se pela significação de ‘ouvir’, que é obedecer, e também que é aperceber; que seja obedecer, foi visto (n. 2542, 3869); que seja também aperceber, é evidente pela função mesma da orelha e, daí, pela natureza do ouvido. A função da orelha é: que receba a linguagem de um outro e a leve ao sensório comum, para que este aperceba daí o que o outro pensa; daí ouvir é aperceber; razão por que a natureza dela é que transfira as coisas que o outro falou a partir de seu pensamento ao pensamento de outro, e a partir deste para sua vontade, e a partir desta para o ato, daí ouvir é obedecer; esses dois ofícios são próprios do ouvido. Nas línguas distinguem-se esses ofícios por ‘ouvir alguém’, o que é perceber, e por ‘ouvir a alguém’ ou escutar, o que é obedecer. Que o ouvido tenha esses dois ofícios, é porque o homem não pode comunicar por um outro caminho as coisas de seu pensamento nem as de sua vontade, nem de outro modo persuadir e levar por meio da razão a fazer as coisas que são de sua vontade e a obedecê-las. Por esse modo vê-se claramente por que circuito se fazem as comunicações, a saber, que elas vão da vontade ao pensamento, e assim para a linguagem e da linguagem, pela orelha, ao pensamento e à vontade de um outro. Daí também vem que os espíritos e os anjos que correspondem à orelha ou ao sentido da audição no Máximo Homem sejam não apenas apercepções, mas também obediências. (Que sejam obediências foi visto, n. 4652 ao 4660.) E porque são obediências, também são apercepções, porque uma envolve a outra.