. ‘Até o seu senhor vir à sua casa’; que signifique a fim de que comunicasse com o bem natural, vê-se pela significação do ‘senhor’, que é o bem natural não espiritual (n. 4973, 4988); a ‘casa’, no sentido interno, é a mente natural, pois a mente natural, assim como também a mente racional, é equivalente a uma casa: o marido ali é o bem, a esposa é o vero, as filhas e os filhos são as afeições do bem e do vero, então também os bens e os veros que provêm deles como pais; as servas e os servos são as volúpias e os conhecimentos que ministram e confirmam. Aqui, portanto, por ‘até o seu senhor vir à sua casa’ é significado o bem natural para a sua habitação, onde também está o vero a ele conjunto; mas aqui é o falso persuadindo o bem de que ele seja o vero, pois o bem natural não espiritual é facilmente persuadido de que o falso seja o vero e de que o vero seja o falso. Diz-se ‘o seu senhor’, porque o natural não espiritual considera o espiritual como um servo (n. 5013). [2] Que a mente natural e a mente racional do homem sejam chamadas ‘casa’, é evidente por estas passagens: Em Lucas: “Quando um espírito imundo tem saído do homem, percorre lugares áridos buscando repouso, o qual, se não encontra, diz: Retornarei para minha casa de onde sai; a qual, tendo vindo, encontra limpa com vassoura e ornada; então vai e toma consigo sete outros espíritos piores, e tendo entrado habitam ali” (11:24, 25, 26); a ‘casa’ aí está pela mente natural, que é dita ‘casa vazia e limpa com vassoura’ quando ali não há bens nem veros, que são o marido e a esposa, nem as afeições do bem e do vero que são as filhas e os filhos, nem as coisas tais que confirmam, que são as servas e os servos; o homem mesmo é a casa, porque a mente racional e natural faz o homem; sem essas coisas, isto é, sem os bens e os veros e as afeições deles, e sem o ministério dessas afeições, não há homem, mas um bruto. [3] A mente do homem também se entende pela casa no mesmo: “Todo reino dividido contra si mesmo é devastado, e cai casa sobre casa” (Lc. 11:17); e em Marcos: “Se um reino é dividido contra si mesmo, este reino não pode se manter, também se uma casa é dividida contra si própria, esta casa não pode se manter. Não pode alguém saquear os móveis do valente, ao entrar na casa dele, exceto se primeiro amarra o valente, e então saqueará a casa dele” (3:24, 25, 27); pelo ‘reino’ é significado o vero (n. 1672, 2547, 4691), e pela ‘casa’, o bem (n. 2233, 2234, 3720, 4982), a ‘casa’ significa o bem pelo melhor [sentido]. [4] Em Lucas: “Se o pai de família conhecesse a que hora viria o ladrão, certamente vigiaria, e não permitiria minar a sua casa” (12:39). No mesmo: “Estarão, de agora em diante, cinco em uma só casa, três contra dois e dois contra três; estará dividido o pai contra o filho e o filho contra o pai, a mãe contra a filha, e a filha contra a mãe” (Lc. 12:52, 53); trata-se, aqui, dos combates espirituais em que devem vir os que são da igreja, depois que os internos ou os espirituais da Palavra foram abertos; a ‘casa’ está no lugar do homem ou da mente do homem; o ‘pai’ aí, a ‘mãe’, o ‘filho’, a ‘filha’, são os bens e veros com as suas afeições e, no sentido oposto, os males e falsos com as afeições deles, pelos quais e contra os quais há combate. [5] Que o Senhor deu ordem aos discípulos em Lucas: “Na casa em que entrardes, primeiro dizei: Paz a esta casa, e se alguém for ali um filho de paz, repousará sobre ele a vossa paz; se porém não, sobre vós voltará. Mas na mesma casa permanecei, comei e bebei do que [houver] com eles. Não passeis de casa em casa” (10:5, 6, 7), representava que se devia permanecer no mesmo bem, a saber, no bem do amor ao Senhor e da caridade para com o próximo, mas não passar a outro. Que o homem ou a mente do homem seja a casa, também foi visto (n. 3538, 4973).