Texto
. ‘Dizendo: Veio a mim o servo hebreu, que nos trouxeste’; que signifique esse servo, é o que se vê pelas coisas que acima (n. 5013) foram ditas; aqui, por esse servo entende-se o vero e bem espiritual, que aqui é certamente José; este aparece ao natural não espiritual como servo. Por exemplo: o vero e bem espiritual quer que o homem nada tenha de prazer488 nas dignidades e em alguma sobre-eminência sobre os outros, mas sim nos ofícios em relação à pátria, e para com a sociedade no geral e no particular, e assim tenha prazer nas dignidades pelo uso. O homem meramente natural ignora absolutamente o que é esse prazer, e nega que ele exista, embora, por hipocrisia, possa dizer também a mesma coisa, mas ainda assim ele faz senhor o prazer proveniente das dignidades em vista de si próprio, e faz servo o prazer proveniente das dignidades em vista das sociedades no geral e no particular; com efeito, em cada uma das coisas que ele faz, é a sua pessoa que ele visa489, e depois de si, as sociedades, as quais ele tanto favorece quanto elas são favoráveis a ele próprio.
[2] Seja também como exemplo: Se se diz que o uso e fim faz com que haja o espiritual ou o não espiritual: o uso e fim por causa do bem comum, da igreja e do Reino de Deus, que haja o espiritual; mas o uso e fim por causa de si próprio e dos seus prevalecendo sobre o uso e fim anterior, que haja o não espiritual. Isto de fato o homem natural pode reconhecer de boca, mas não de coração; de boca em razão do intelectual instruído; não de coração, em razão do intelectual destruído pelas cobiças. A partir disto, ele faz senhor o uso e fim por causa de si, e faz servo o uso e fim por causa do bem comum, da igreja e do Reino de Deus; ele até diz de coração: “Quem é que pode ser outro?”
[3] Em uma palavra, tudo que o homem natural olha como separado dele, isto ele absolutamente despreza e rejeita, e tudo que ele olha como conjunto a si, isto ele estima e aceita, não sabendo nem querendo saber que o espiritual é olhar como conjunto a si qualquer um que está no bem, seja ele desconhecido ou conhecido, e olhar como separado de si qualquer um que está no mal, seja ele conhecido ou desconhecido, visto que então se é conjungido com aqueles que estão no céu, e se é disjungido daqueles que estão no inferno. Como, porém, o homem natural não sente o prazer daí procedente, pois não recebe o influxo espiritual, por isso ele considera isso inteiramente como vil e servo, assim, como nada relativamente ao prazer que ele sente, o qual influi pelos sentidos do corpo e pelas cobiças do amor de si e do mundo; mas esse prazer é morto porque provém do inferno, mas o prazer proveniente do influxo espiritual é vivo porque vem por meio do céu desde o Senhor.