. ‘E deixou a sua vestimenta comigo’; que signifique a testificação [ou comprovação], vê-se pela significação de ‘deixar a sua vestimenta com ela’, que é uma testificação de que tenha se aproximado (n. 5019); a vestimenta, no sentido interno, significa o vero; e ‘deixar a vestimenta’ significa afastar o vero último (n. 5008). Que aqui signifique um testemunho ou uma testificação que tinha se aproximado, é porque o vero último, quando ele é deixado, ou quando ele é afastado, é uma testificação para o homem natural contra o homem espiritual. Que o homem natural esteja, por assim dizer, conjungido com o homem espiritual por meio do vero último, mas que, mesmo assim, ele não esteja conjungido, foi visto (n. 5009). Com efeito, quando o homem espiritual explica esse vero, então aparece a dissemelhança; mas sejam para ilustração os exemplos que anteriormente (n. 5008) foram alegados. O homem espiritual diz, e igualmente o homem natural, que se deve fazer bem aos pobres, às viúvas e aos órfãos; mas o homem espiritual pensa que não se deve fazer bem aos pobres, às viúvas e aos órfãos que são maus, nem aos que se chamam tais e, entretanto, são ricos, pois desse modo eles se enganariam por causa dos nomes somente; e daí ele conclui que pelos pobres, as viúvas e os órfãos, na Palavra, se entendem os que espiritualmente são tais. Mas o homem natural pensa que se deve fazer bem aos pobres, às viúvas e aos órfãos que sãoassim chamados, e que são esses e não os outros que se entendem na Palavra, e não se preocupa se eles são maus ou bons; ele não sabe nem quer saber o que é ser tal espiritualmente. Daí é evidente que o último vero, a saber, que se deve fazer bem aos pobres, às viúvas e aos órfãos, mostra-se semelhante a um e ao outro, mas que ele é dissemelhante quando é explicado; e quando ele se torna dissemelhante e por isso há disjunção, isso serve ao homem natural de testemunho ou de testificação que ele tenha se aproximado; daí ele fala o falso contra o homem espiritual, que não tem mais aquilo por meio do que se defenda. Assim se vê claramente de onde e em que relação a vestimenta também significa um testemunho ou uma testificação. Seja ainda um exemplo: O homem espiritual, e igualmente o homem natural, diz que se deve fazer bem ao próximo, e diz também que todo homem é o próximo, mas ele pensa que um é o próximo em uma diferente relação e em um diferente grau mais do que outro, e que fazer bem ao mal porque ele se chama o próximo é fazer mal ao próximo. O homem natural se conjunge com o homem espiritual nesse último vero, a saber, que se deve fazer bem ao próximo, e também neste, que todo homem é o próximo; mas ele pensa que aquele que o favorece é o próximo, sem se preocupar se ele é bom ou se ele é mau; por esse modo fica claro também que eles são conjungidos aparentemente no último vero, mas que não há entretanto nenhuma conjunção, assim como primeiramente foi explicado, há disjunção; então esse último vero serve ao homem natural como testemunha contra o espiritual, que tinha como que zombado. O mesmo acontece com todas as coisas restantes.