. ‘E o deu à casa do cárcere’; que signifique quanto à linguagem falsa contra o bem, vê-se pela significação de ‘dar para a casa do cárcere’ e ali ser mantido preso, que é ser lançado nas tentações quanto à linguagem falsa contra o bem, de que se tratará no que segue. Antes, deve-se dizer alguma coisa a respeito das tentações. Dificilmente alguém, hoje, no mundo cristão, sabe de onde vêm as tentações; aquele que as sofre não crê outra coisa senão que são angústias que irrompem dos males que estão interiormente no homem, que o tornam primeiramente irrequieto, em seguida ansioso, e por fim atormentam; mas ignoram absolutamente que elas se fazem por maus espíritos que estão juntodele; que ele não saiba isto, é porque não crê que esteja em consociação com espíritos quando vive no mundo, e dificilmente que algum espírito esteja com ele, quando todavia o homem está continuamente, quanto aos seus interiores, na sociedade dos espíritos e dos anjos. [2] Quanto ao que se refere às tentações, elas têm lugar quando o homem está no ato da regeneração, pois ninguém pode ser regenerado a menos que também sofra tentações, e então elas existem pelos maus espíritos que estão em torno dele. De fato, o homem então é posto no estado do mal em que ele mesmo está, isto é, em que está aquilo mesmo que é o seu proprium, estado no qual, quando chega, os espíritos maus ou infernais o cercam, e quando eles apercebem que ele é protegido interiormente pelos anjos, os maus espíritos despertam os falsos que ele tinha pensado e os males que ele tinha praticado, mas os anjos, pelo interior, o defendem. Este combate é o que é percebido no homem como tentação, mas tão obscuramente que ele mal sabe outra coisa, senão que está em ansiedade. Com efeito, o homem, principalmente aquele que nada crê a respeito do influxo, está em um estado completamente obscuro, e com custo apercebe a milésima parte dessas coisas a cujo respeito os maus espíritos e os anjos combatem; entretanto, trata-se então do homem e de sua salvação eterna, e trata-se a partir do homem, pois eles combatem a partir das coisas que estão no homem e a respeito delas. Que essas coisas aconteçam assim, foi dado saber com a maior certeza; ouvi o combate, percebi o influxo, vi os espíritos e os anjos, e falei com eles durante e depois do combate, e também a respeito desse assunto. [3] As tentações, como foi dito, existem principalmente nessa ocasião, quando o homem se torna espiritual, pois então ele compreende espiritualmente os veros da doutrina. Isto muitas vezes o homem não sabe, mas ainda assim os anjos com ele veem nos naturais dele coisas espirituais, porquanto os seus interiores estão então abertos para o céu. Vem daí também que o homem que foi regenerado, depois da vida no mundo, esteja entre os anjos, e ali tanto veja como perceba as coisas espirituais que antes lhe apareciam como naturais. Quando, portanto, o homem é tal, então na tentação, quando atacado pelos maus espíritos, ele pode ser defendido pelos anjos, pois os anjos têm então um plano em que eles operam, já que influem no espiritual com ele e, por meio do espiritual, no natural. [4] Quando, portanto, o último vero foi afastado, e assim ele nada tem pelo que possa se defender contra os naturais (coisa de que se tratou, n. 5006, 5008, 5009, 5022, 5028), então ele vem nas tentações, e é acusado pelos maus espíritos, que são todos meramente naturais, principalmente de linguagem falsa contra o bem, como, por exemplo, que tenha pensado e dito que se deve fazer bem ao próximo e também tenha comprovado em ato; e, todavia, pelo próximo entenda então somente aqueles que estão no bem e no vero, mas não os que estão no mal e no falso e não podem ser emendados. E, consequentemente, porque ele não quer mais fazer o bem aos maus, e se se deve fazer o bem, que sejam punidos por causa da emenda deles e por causa da aversão do mal procedente de seu próximo; eles o acusam de que tenha pensado e falado o falso, e que não pense como fala.490 [5] Seja também por exemplo: Como o homem, quando se tornou espiritual, não crê mais que seja santo e de um uso piedoso dar aos mosteiros, nem sequer aos templos onde as riquezas abundam; e porque antes de ter se tornado espiritual ele tivera o pensamento de que isso era santo e piedoso, eles o acusam de falso e excitam todos os pensamentos que ele antes abraçara a respeito dessa santidade e piedade, e também da obra, a partir desse pensamento. O mesmo acontece com inumeráveis outras coisas; mas esses exemplos são apenas para alguma ilustração; esses maus espíritos entram principalmente nas afeições que o homem teve anteriormente, e as excitam, bem como os falsos e males que ele tinha pensado e feito, e assim induzem em ansiedade e muitas vezes na dúvida, até o desespero. [6] Daí vêm, portanto, as ansiedades espirituais, e daí vêm esses tormentos que são chamados tormentos da consciência. Essas coisas aparecem ao homem como em si próprio pelo influxo e pela comunicação. Aquele que as conhece e nelas crê pode ser comparado a um homem que se vê em um espelho e sabe que não é ele mesmo que aparece no espelho ou pela outra parte dele, mas que seja apenas a sua imagem; porém, aquele que não conhece isso e não crê pode ser comparado àquele que se vê em um espelho, e que considera que é ele próprio que ali aparece, e não a sua imagem.