. Que ser dado à casa do cárcere e ali ser mantido preso seja ser posto em tentações quanto à linguagem falsa contra o bem, vem disso, que se chama ‘casa do cárcere’ todo lugar situado mais perto, sob a planta do pé e ao redor, onde são mantidos os que estão em vastação, isto é, aqueles que estiveram nos princípios do falso e na vida do mal proveniente do falso e, entretanto, no bem quanto às intenções. Os que são tais não podem ser recebidos no céu antes de terem abandonado os princípios do falso e, também, o prazer da vida que daí provém. Aqueles que ali estão são postos nas tentações, pois os princípios do falso e os prazeres da vida que provêm daí não podem ser lançados fora senão por meio das tentações. O lugar onde eles estão, ou antes, o estado em que eles estão, é significado em geral pela ‘casa do cárcere’, e os lugares mesmos, pelas ‘covas’. (A respeito das vastações na outra vida, vejam-se os n. 698, 699, 1106 a 1113, 2699, 2701, 2704.) Aqueles que estão nas vastações são chamados prisioneiros [ou presos], não que estejam em alguma prisão, mas sim que estejam no não livre quanto aos pensamentos precedentes e às afeições que daí provêm. [2] Que sejam tais os que, na Palavra, se entendem por prisioneiros e pelos que estão no cárcere, é evidente por algumas passagens extraídas da Palavra, como em Isaías: “[...] dar-Te-ei em aliança do povo, para a luz das nações; para abrir os olhos dos cegos, para tirar do cárcere o prisioneiro, e da casa da clausura os que estão assentados nas trevas” (42:7, 8); onde se trata do Senhor e de Seu advento; aqui ‘abrir os olhos aos cegos e tirar do cárcere o prisioneiro’ e ‘da casa da clausura os que se assentam em trevas’, está por fazer isso aos que estão na ignorância do bem e do vero, e que, entretanto, estão no desejo de sabê-los e de se imbuírem deles; mas aqui o cárcere é expresso na língua original por um outro vocábulo. [3] No mesmo: “Todos os jovens estão escondidos nas casas dos cárceres, tornaram-se presa, e não [há] quem [os] arrebate, e não [há] quem diga: Tirai” (Is. 42:22); os ‘jovens’, no sentido interno, são os veros da fé, dos quais se diz ‘estarem escondidos nas casas dos cárceres’ e ‘tornarem-se em presa’ quando não são mais reconhecidos. No mesmo: “Acontecerá nesse dia, que JEHOVAH visitará sobre o exército da altura na altura, e sobre os reis do húmus sobre o húmus, e serão reunidos o preso sobre a cova, e serão enclausurados sobre o lugar fechado; depois da multidão dos dias serão visitados” (Is. 24:21, 22); o ‘preso sobre a cova’ está no lugar daqueles que estão nas vastações, ou daqueles que estão nas tentações. [4] No mesmo: “Que fareis no dia da visita e da vastação? de longe virá. Para quem fugireis por auxílio?... quem não se encurvará, cairão abaixo dos presos e abaixo dos mortos” (Is. 10:3, 4); ‘abaixo dos presos’ está pelo inferno que está sob os lugares de vastação; os ‘mortos’ estão no lugar daqueles que pelos princípios do falso extinguiram consigo os veros da fé, em um menor grau do que os trespassados de que se tratou (n. 4503). [5] Em Zacarias: “Falará [de] paz às nações; e será o dominar d’Ele desde o mar até o mar, e desde o rio até os confins da terra; mesmo quanto a Ti, pelo sangue da Tua aliança, enviarei os prisioneiros para fora da cova em que não [há] água. Retornai [vós] à fortaleza, presos de esperança” (9:10, 11, 12); ‘enviar os presos para fora da cova’ está por aqueles que estão na vastação e que estão na tentação; que os lugares onde estão aqueles que se acham em vastação são ditos ‘covas’, foi visto (n. 4728, 4744). Em Davi: “JEHOVAH ouve [com atenção] os necessitados e os seus presos não despreza” (Sl. 69:34 [Em JFA, 69:33]). No mesmo: “Venha perante Ti o gemido do preso” (Sl. 79:11). No mesmo: “JEHOVAH olhou dos céus para a terra, para ouvir o gemido do preso, para abrir aos olhos da morte” (Sl. 102:20, 21 [Em JFA, 19, 20]); os ‘presos’ estão por aqueles que estão na vastação e que estão nas tentações. Em Isaías: “No tempo de beneplácito respondia a Ti, e no dia de salvação Te ouvi, guardei também a Ti, e dei por aliança do povo, para restituir a terra, para repartir as heranças devastadas, para dizer aos presos: Saí; e aos que estão nas trevas: Revelai-vos; sobre os caminhos apascentarão, e em todos os declives [terão] o pasto bom; e não terão fome, nem terão sede” (49:8, 9, 10). [6] No mesmo: “O Espírito do Senhor JEHOVAH [está] sobre mim; JEHOVAH me ungiu, para evangelizar os pobres me enviou; e para ligar os quebrantados de coração, para pregar aos cativos a liberdade, e aos presos, [aos] de olhos tomados, para proclamar o ano do beneplácito de JEHOVAH” (Is. 61:1, 2). Em Davi: “JEHOVAH, Que faz juízo aos oprimidos, Que dá pão aos que têm fome; JEHOVAH, Que desata os presos; JEHOVAH, Que abre [os olhos] aos cegos; JEHOVAH, Que levanta os encurvados; JEHOVAH, Que ama os justos; JEHOVAH, Que guarda os peregrinos, [Que] sustenta o órfão e a viúva” (Sl. 146:7, 8, 9); os ‘presos’ estão pelos que estão na vastação e nas tentações por causa dos falsos. A partir dessas passagens fica também evidente quem são os que se entendem pelos presos (ou aqueles que estão no cárcere), e semelhantemente quem pelos que têm fome, sede e pelos peregrinos em Mateus: “Então dirá o Rei aos que [estarão] à direita d’Ele: ...Tive fome e destes-Me de comer; tive sede e destes-Me de beber, fui peregrino e recolhestes-Me, [estive] nu e revestistes-Me, doente e visitastes-Me, estive no cárcere e viestes a Mim” (25:34, 35, 36); a respeito dos quais vê-se na premissa a este capítulo (n. 4954, 4955, 4956, 4957, 4958).