. ‘E o padeiro’; que signifique as coisas que, no corpo, foram sujeitadas à parte voluntária, vê-se pela significação do ‘padeiro’, que é o sensual externo, ou o sensual do corpo, que foi subordinado ou sujeitado à parte voluntária do homem interno. Que o padeiro signifique isto, é porque tudo que serve para comer, ou que se come, como o pão, a comida em geral e toda obra de padeiro, é predicado a respeito do bem, e assim se refere à parte voluntária. Com efeito, todo bem pertence a essa parte, assim como todo vero pertence à parte intelectual, como logo acima (n. 5077) foi dito. Que o ‘pão’ seja o celeste ou o bem, foi visto (n. 1798, 2165, 2177, 3478, 3735, 3813, 4211, 4217, 4735, 4976). [2] Que aqui e nas passagens seguintes deste capítulo se trate, no sentido interno, dos sensuais externos de um e outro gênero, é porque no capítulo anterior se tratou do Senhor, do modo como Ele mesmo glorificou ou fez Divinos os interiores de Seu natural; aqui se trata, pois, do Senhor e do modo como Ele mesmo glorificou ou fez Divinos os exteriores do natural. Os exteriores do natural são as coisas que se chamam propriamente corporais, ou sensuais, de um e outro gênero unidas com os recipientes, pois estas com aqueles constituem isto que se chama o corpo (ver acima o n. 5077). O Senhor fez Divino n’Ele o corporal mesmo, tanto os seus sensuais quanto os recipientes; é por isso que [Ele] ressuscitou do sepulcro também com o corpo, e depois da ressurreição também disse aos discípulos: “Vede as Minhas mãos e os Meus pés, que sou Eu mesmo; apalpai-Me e vede; pois um espírito não tem carne e ossos, como Me vedes tendo” (Lucas, 24:39). [3] Hoje, a maioria dos que são da igreja creem que cada um deve ressuscitar no último dia, e então com o corpo; essa opinião é tão universal, que é difícil que a partir do doutrinal se creia diferentemente. Mas essa opinião tornou-se forte por isso, porque o homem natural considera que é somente o corpo que vive; é por isso que a não ser que cresse que esse corpo haveria de receber de novo a vida, ele negaria inteiramente a ressurreição. No entanto, assim se tem as coisas: O homem ressuscita logo depois da morte, e então aparece a si em um corpo absolutamente como no mundo, com semelhante face, com semelhantes membros, braços, mãos, pés, um peito, um ventre, lombos; e ainda mais, quando ele também se vê e se toca, diz que é homem como no mundo. Porém, ainda assim, [esse] que ele vê e toca não é o externo dele que o envolveu no mundo, mas é sim o interno que constitui esse humano mesmo que vive e que teve em volta de si (ou por fora de cada uma de suas partes) o externo pelo qual ele pôde estar no mundo e agir nele e desempenhar convenientemente as suas funções. [4] O corporal mesmo terrestre não lhe é mais de nenhum uso, [o homem] está em um outro mundo, onde há outras funções, e outras forças e poderes, aos quais o seu corpo que ali tem foi adaptado. Ele vê esse corpo com os seus olhos, não com aqueles que teve no mundo, mas com aqueles que ali tem, os quais são os olhos de seu homem interno, e a partir dos quais, por meio dos olhos do corpo, ele vira antes as coisas mundanas e terrestres. Ele também o sente pelo tato, não com as mãos ou o sentido do tato que ele carregou no mundo, mas sim pelas mãos e o sentido do tato de que fruirá ali, que é aquele a partir do qual existiu no mundo o seu sentido do tato. E também todo sentido ali é mais apurado e mais perfeito, porque pertence ao homem interno desprendido do homem externo, pois o interno está em um estado mais perfeito porque dá ao externo o sentir; porém, quando ele atua no externo, como no mundo, então a sensação é embotada e obscurecida. Além disso, é o interno que sente o interno, e o externo que sente o externo; daí vem que os homens, depois da morte, se veem mutuamente e estão juntamente em sociedade de acordo com os interiores. Para que estivesse certo desse fato, foi-me concedido tocar os próprios espíritos, e muitas vezes falar com eles a respeito dessas coisas (ver os n. 322, 1630, 4622). [5] Depois da morte, os homens — que então se chamam espíritos, e os que bem viveram, anjos — muito se admiram de que o homem da igreja creia que não deve ver a vida eterna senão no último dia, quando o mundo há de ser destruído, e que então ele deve revestir-se do pó que foi rejeitado; quando, todavia, o homem da igreja sabe que ele ressurgirá depois da morte. Quem, pois, não diz, quando um homem morre, que a sua alma ou o seu espírito está ou no céu ou no inferno? E quem é que não diz, falando de seus filhos que faleceram, que eles estejam no céu? E quem é que não consola um enfermo, ou mesmo um condenado à morte, que em breve há de vir a outra vida? E aquele que está na agonia da morte e é preparado não crê diferentemente. E também mesmo a partir dessa fé muitos reivindicam para si o poder de retirar do lugar de danação e de introduzir no céu, e de fazer missas por eles. Quem não sabe que o Senhor disse ao ladrão “Hoje estarás comigo no paraíso” (Lc. 23:43); e que o Senhor disse a respeito do rico e Lázaro, que aquele tenha sido transportado ao inferno, mas este, pelos anjos, ao céu (Lc. 16:22, 23); e quem não sabe que o Senhor ensinou a respeito da ressurreição, que não seja Deus de mortos, mas dos que vivem (Lc. 20:38). [6] Estas coisas o homem sabe e também assim pensa e assim fala quando do espírito pensa e fala; mas quando, a partir do doutrinal, diz absolutamente outra coisa, a saber, que não deve ressuscitar antes, senão no último dia, quando, entretanto, o último dia para cada um é quando morre, e também então é para ele o juízo, assim como também muitos falam. (O que se entende pela ‘pele que deve circundar’ e ‘da carne ver Deus’, em Jó, cap. 19:25, 26, ver n. 3540 até o fim.) Estas coisas foram ditas por essa causa, para que se saiba que nenhum homem ressuscita com o corpo com o qual foi circundado no mundo, mas que somente o Senhor, e isto porque Ele glorificou (ou seja, fez Divino) o Seu corpo quando esteve no mundo.