Texto
. ‘[Contra] o seu senhor, o rei do Egito’; que signifique que fossem contra o estado novo do homem natural, a saber, os sensuais externos, ou do corpo, que são significados pelo copeiro e pelo padeiro, vê-se pela significação do ‘rei do Egito’, que é o conhecimento no geral (n. 1164, 1165, 1186, 1462, 4749, 4964, 4966). Com efeito, pelo ‘rei do Egito’ é significada coisa semelhante ao que pelo Egito, porquanto o rei é a cabeça da nação; acontece igualmente em outro lugar onde se diz ou se menciona o rei de alguma outra nação (n. 4789). Como é o conhecimento no geral que é significado pelo ‘rei do Egito’, é também o homem natural, visto que todo conhecimento é um vero que pertence ao homem natural (n. 4967); o bem mesmo aí é significado por ‘senhor’ (n. 4973). Que seja significado o estado novo dele, é porque no capítulo procedente se tratou dos interiores do natural, que eles foram feitos novos; [e] no sentido supremo, em que se trata do Senhor, que eles foram glorificados; mas agora se trata dos exteriores do natural, que devem ser reconduzidos à concordância ou à correspondência com os interiores. São esses interiores do natural que são novos, ou, o que é o mesmo, é o estado novo desse homem natural que é significado aqui pelo ‘senhor, o rei do Egito’; e os exteriores que não foram reconduzidos à ordem e, por isso, são contra esse [estado novo] são significados pelo copeiro e o padeiro.
[2] Há os interiores e os exteriores do natural, os interiores do natural são os conhecimentos e as afeições deles, mas os exteriores são os sensuais de um e outro gênero, dos quais acima se tratou (n. 5077); estes, a saber, os exteriores do natural, o homem deixa quando morre; mas aqueles, a saber, os interiores do natural, ele os leva consigo na outra vida, onde eles servem como plano a coisas espirituais e celestes. Com efeito, o homem, quando morre, nada perde além de ossos e carne, ele tem consigo a memória de tudo que fizera, dissera e pensara, e tem consigo todas as afeições e cobiças naturais, assim, todas as coisas interiores do natural; ele não tem necessidade de seus exteriores, pois não vê o que está no mundo, nem ouve as coisas que estão no mundo, nem cheira, nem degusta e não toca as coisas que estão no mundo; mas sim as coisas que estão na outra vida, as quais de fato, quanto a maior parte, mostram-se semelhantes às que estão no mundo; mas mesmo assim não são semelhantes, pois têm em si mesmas o vivo, o que não têm as coisas que são propriamente do mundo natural, uma vez que ali [no mundo espiritual] todase cada uma das coisas existem e subsistem pelo Sol, que é o Senhor; por isso elas têm em si o vivo. Mas no mundo natural, todas e cada uma das coisas que existem e subsistem pelo sol, que é o fogo elementar, daí não têm em si o vivo. O vivo que neles aparece não vem de outra parte senão do mundo espiritual, isto é, desde o Senhor por meio do mundo espiritual.