Texto
. ‘Contra os seus dois ministrantes da corte’; que signifique aos sensuais do corpo de um e de outro gênero, a saber, que se avertia a esses sensuais, vê-se pela significação dos ‘ministrantes da corte’, que aqui são o copeiro e o padeiro, que são os sensuais de um e outro gênero (n. 5077, 5078). Os sensuais pertencentes ao corpo, a saber, a visão, a audição, o olfato, o paladar e o tato, são também como ministrantes da corte relativamente ao homem interior, que é o senhor rei, pois eles ministram [ou prestam serviço], a fim de que venha aos ensinamentos da experiência pelas coisas que estão no mundo observável e na sociedade humana e, assim, para que entenda e saiba. Com efeito, o homem não nasce em nenhuma ciência, nasce menos ainda em alguma inteligência e sabedoria, mas nasce somente na faculdade de as receber e de as imbuir. Isso acontece por dupla via, a saber, pela via interna e pela via externa: pela via interna influi o Divino, pela via externa influi o mundano. Essas duas vias convergem interiormente no homem, e então quanto mais o homem se deixa iluminar pelo Divino, tanto mais ele chega à sabedoria. As coisas que vêm pela via externa influem por meio dos sensuais do corpo, mas não influem por si mesmas, mas são evocadas pelo homem interno para que sirvam de plano às coisas celestes e espirituais, que influem do Divino pela via interna. Daí se pode ver que os sensuais do corpo são como os ministrantes da corte. Em geral, todas as coisas exteriores são servas relativamente às interiores; todo o homem natural não é outra coisa relativamente ao espiritual.
[2] Essa palavra, na língua original, significa ministro, cortesão, copeiro, eunuco; no sentido interno, por ela é significado o homem natural quanto ao bem e quanto o vero, como aqui; mas especificamente o homem natural quanto ao bem, como em Isaías:
“Não diga o filho do estrangeiro que aderiu a JEHOVAH, dizendo: Separando separar-me-á JEHOVAH de junto do Seu povo; nem o eunuco diga: Eis eu madeira seca. Pois assim disse JEHOVAH aos eunucos que guardam os Meus sabbath’s e escolhem o que [Me] deleita e têm a Minha aliança: Dar-lhes-ei na Minha casa, e dentro dos Meus muros, um lugar e um nome, melhor do que os dos filhos e filhas; dar-lhes-ei um nome de eternidade que não será cortado” (56:3, 4, 5).
o ‘eunuco’, aí, está no lugar do homem natural quanto ao bem, e o ‘filho do estrangeiro’ está pelo homem natural quanto ao vero. Visto que a igreja do Senhor é externa e interna, aqueles que são da igreja externa são os naturais, aqueles que da igreja interna, espirituais; aqueles que são naturais e, todavia, estão no bem são os ‘eunucos’, e aqueles que são naturais e estão no vero são os ‘filhos do estrangeiro’; e [como] não pode haver aqueles que são verdadeiramente espirituais, ou internos, senão dentro das igreja, também por isso pelos ‘filhos do estrangeiro’ são significados aqueles que estão fora da igreja(ou os gentios) e todavia estão no vero de acordo com a sua religiosidade (n. 2049, 2593, 2599, 2500, 2602, 2603, 2861, 2863, 3263); e pelos ‘eunucos’, os que estão no bem.