Texto
. ‘Cada um o seu sonho, em uma noite’; que signifique referente ao acontecimento que para eles está no [estado] obscuro, é o que se vê pela significação do ‘sonho’, que é a previdência e, daí, a predição; e porque é a predição, também é o acontecimento, pois a predição é a respeito dele; e pela significação da ‘noite’, que é o [estado] obscuro. A ‘noite’, no sentido espiritual, significa o estado de sombra induzido por meio do falso proveniente do mal (n. 1712, 2353); assim, também o [estado] obscuro, a saber, da mente. A obscuridade497 que pertence à noite no mundo é a obscuridade natural, mas a obscuridade que pertence à noite na outra vida é a obscuridade espiritual; aquela existe pela ausência do sol do mundo e pela privação da luz dali proveniente; esta, porém, pela ausência do Sol do céu, que é o Senhor, e pela privação da luz, isto é, da inteligência que dele procede. Essa privação não existe porque o Sol do céu se põe do mesmo modo que o sol do mundo, mas porque o homem ou espírito está no falso proveniente do mal, e vem de que ele mesmo se afasta e introduz em si o estado obscuro. A partir somente da ideia da noite em um e outro sentido e, daí, da obscuridade, pode-se claramente ver o modo como acontece com o sentido espiritual relativamente ao sentido natural de uma mesma coisa. Além disso, a obscuridade espiritual é tríplice: uma provém do falso do mal, a outra provém da ignorância do vero e a terceira é a dos exteriores relativamente aos interiores, assim, dos sensuais, que pertencem ao homem externo, relativamente aos racionais, que pertencem ao interno. Todos esses gêneros, entretanto, existem a partir disso, que a luz do céu, ou seja, a inteligência e sabedoria que procede do Senhor, não é recebida, pois essa luz continuamente influi, mas pelo falso do mal ela é ou rejeitada, ou sufocada ou pervertida; pela ignorância do vero ela é pouco recebida, e pelos sensuais, que pertencem ao homem externo, ela enfraquece porque se torna trivial [communis].