. ‘E o chefe dos copeiros contou o seu sonho a José’; que signifique que o celeste do espiritual apercebia o acontecimento a respeito dessas coisas que pertenciam ao sensual submetido à parte intelectual, as quais tinham até então sido rejeitadas, vê-se pela representação de ‘José’, que é o celeste do espiritual (n. 4286, 4585, 4592, 4594, 4963); pela significação do ‘sonho’, que é a previdência e, daí, o acontecimento, de que se tratou acima (n. 5091, 5092, 5104), assim, o acontecimento previsto ou apercebido; e pela significação do ‘chefe dos copeiros’, que é o sensual submetido à parte intelectual no geral (n. 5077, 5082); que tinha sido rejeitada, entende-se por ‘que estava na prisão’ (n. 5083, 5101). A partir dessas significações é evidente que seja esse o sentido interno destas palavras. Que também José, por quem é representado o celeste do espiritual, tenha apercebido o acontecimento, vê-se pelas coisas que seguem. [2] Diz-se o celeste do espiritual e entende-se o Senhor, pode-se dizer também abstratamente a respeito d’Ele, porque Ele é o Celeste mesmo e o Espiritual mesmo, isto é, o Bem mesmo e o Vero mesmo, os quais, na realidade, não podem, no homem, ser concebidos com abstração da pessoa, porque o natural foi adjunto em cada coisa do pensamento dele; mas ainda assim, quando se pensa que tudo que há no Senhor é Divino, e que o Divino está acima de todo pensamento, e é absolutamente incompreensível também aos anjos, consequentemente, se então se abstrai isto que é compreensível, permanece o Ser e Existir mesmo, que, a saber, é o Celeste mesmo e o Espiritual mesmo, isto é, o Bem mesmo e o Vero mesmo. [3] Mas ainda porque o homem é tal que não pode ter absolutamente nenhuma ideia de pensamento a respeito das coisas abstratas, exceto se adiciona alguma coisa natural que tenha entrado do mundo por meio dos sensuais, porquanto sem tais coisas o pensamento dele perece como em um abismo e se dissipa, é por isso que para que o Divino não perecesse no homem inteiramente imerso nas coisas corporais e terrestres, e naquele em quem permanecesse, não fosse manchado por uma ideia imunda, e junto todo celeste e todo espiritual que procede do Divino, é por isso que agradou a JEHOVAH Se apresentar realmente tal qual Ele é e tal qual Ele aparece no céu, a saber, como Divino Homem. Com efeito, o todo do céu converge para a forma humana, como se pode ver pelas coisas que foram demonstradas, no fim dos capítulos, sobre a correspondência de todas as coisas do homem com o Máximo Homem, que é o céu. Este Divino, ou Isto de JEHOVAH no céu, é o Senhor de eternidade. O Senhor tomou também esse Divino quando glorificou ou fez Divino em Si o Humano; o que também é manifestamente claro pela forma na qual Ele apareceu diante de Pedro, Tiago e João, quando Se transfigurou (Mt. 17:1, 2); e também na qual Ele apareceu algumas vezes aos profetas. Daí agora vem que cada um pode pensar a respeito do Divino mesmo como de um Homem, e então a respeito do Senhor, em Quem há todo o Divino e o Trino é perfeito, uma vez que, no Senhor, o Divino mesmo é o Pai, esse Divino, no céu, é o Filho, e o Divino daí procedente é o Espírito Santo; daí se vê que Esses Divinos são um, como Ele mesmo ensina.