. ‘Subiu a flor dela’; que signifique o estado perto da regeneração, vê-se pela significação da ‘flor’, que brota da árvore antes do fruto, que é o estado antes da regeneração; a germinação e frutificação da árvore representa, como logo acima (n. 5115) foi dito, o renascimento do homem: o verdejar das folhas, o primeiro estado, a florescência, o segundo, ou o mais perto antes da regeneração, e a frutificação, o terceiro, que é o estado mesmo do regenerado. Daí vem que as ‘folhas’ signifiquem as coisas que pertencem à inteligência ou os veros da fé (n. 885), pois essas coisas são as primeiras do renascimento, ou regeneração; mas as ‘flores’ são as coisas que pertencem à sabedoria, ou os bens da fé, porque de modo mais próximo precedem antes do renascimento, ou regeneração; e os ‘frutos’ significam as coisas que pertencem à vida ou as obras da caridade, pois essas seguem e constituem o estado mesmo do regenerado. [2] Que tais coisas existam no reino vegetal, provém do influxo do mundo espiritual. Mas isto é o que não podem de modo algum crer os que atribuem todas as coisas à natureza e nada ao Divino; porém, aos que atribuem tudo ao Divino e nada à natureza, é-lhes facultado ver que cada uma dessas coisas provenha desse influxo, e não somente que provenham dele, mas que de fato cada uma delas corresponda, e porque correspondem, que representem. E, por fim, é-lhes permitido ver que toda a natureza seja um teatro representativo do Reino do Senhor, assim, que o Divino está em cada coisa a tal ponto que ela é também uma representação do eterno e do infinito: do eterno pela propagação pela eternidade, do infinito pela multiplicação das sementes ao infinito. Tais empenhos nunca teriam podido existir em cada coisa do reino vegetal se o Divino não influísse continuamente; do influxo provém o empenho, do empenho provém a força e da força provém o efeito. [3] Aqueles que atribuem todas as coisas à natureza dizem que tais coisas foram determinadas nos frutos e nas sementes por ocasião da primeira criação, e que, da força recebida daí, elas por si próprias foram levadas a tais propagações; mas eles não consideram que a subsistência é uma perpétua existência, ou, o que é o mesmo, que a propagação é uma perpétua criação; nem consideram que o efeito é a continuidade da causa, e que cessando a causa cessa o efeito e, daí, que todo efeito sem o influxo contínuo da causa perece em um instante; depois, eles não consideram que o que não é ligado desde o primeiro de todos, consequentemente, desde o Divino, se aniquila no mesmo instante [in nihilum cadat], pois o anterior deve estar continuamente no posterior para que o posterior exista. [4] Se aqueles que atribuem todas as coisas à natureza (e atribuem tão pouco ao Divino que dificilmente é alguma coisa) considerassem essas [verdades], poderiam também reconhecer que, em geral e em particular, todas as coisas na natureza representam coisas semelhantes que estão no mundo espiritual, por conseguinte, que estão no Reino do Senhor, onde o Divino do Senhor é representado com mais proximidade. Daí vem que se diga que tenha influído do mundo espiritual, mas entenda-se que o influxo se dê por meio do mundo espiritual desde o Divino do Senhor. A causa pela qual os homens naturais não consideram tais [verdades], é porque não querem reconhecer, pois estão nas coisas terrestres e corporais e, por isso, na vida dos amores de si e do mundo, por conseguinte, em uma ordem inteiramente inversa relativamente às coisas que são do mundo espiritual ou do céu; e ver tais coisas a partir do estado invertido é impossível, porquanto as coisas que estão abaixo eles veem como superiores, e as coisas que estão acima, como inferiores. É também por isso que tais indivíduos, na outra vida, quando aparecem na luz do céu, aparecem com a cabeça para baixo e com os pés para cima. [5] Quem é que, dentre eles, ao ver flores em uma árvore e nas restantes vegetações, considera que há nelas uma sorte de alegramento de que então elas produzem frutos ou sementes? Eles veem que as flores precedem e são continuadas até o iniciar do fruto ou têm em seu seio a semente e assim transportam seu suco até elas. Se eles soubessem alguma coisa a respeito do renascimento (ou regeneração) do homem, ou antes, se quisessem saber, veriam também nessas flores, pela similitude, o representativo do estado do homem antes da regeneração, a saber, que o homem então floresce igualmente a partir do bem da inteligência e da sabedoria, isto é, que ele está em uma alegria e em uma beleza interiores, porque então ele está no empenho de implantar os bens da inteligência e da sabedoria na vida, isto é, de fazer frutos. Que esse estado é tal, ele não pode saber, porque o que é a alegria interior e o que é a beleza interior que são representadas não é absolutamente conhecido por aqueles que somente estão na satisfação do amor do mundo e no prazer do amor de si; esta satisfação e este prazer fazem que essas coisas se mostrem insatisfatórias e desprazerosas ao ponto que se tenha aversão por elas, e quando se tem aversão por elas também são rejeitadas como coisa de pouco valor ou coisas nulas; consequentemente, as negam e então negam ao mesmo tempo que haja alguma coisa espiritual e celeste. Daí vem então a loucura do século, que se acredita sabedoria.