Texto
. ‘E os cachos dela amadureceram em uvas’; que signifique a conjunção do vero espiritual com o bem celeste, vê-se pela significação de ‘amadurecer’, que é a progressão do renascimento, ou regeneração, até a conjunção do vero com o bem, assim, a conjunção; pela significação dos ‘cachos’, que são o vero do bem espiritual; e das ‘uvas’, que são o bem do vero celeste, aqui, esse vero e esse bem no sensual que é representado pelo copeiro; a conjunção deles no sensual acontece como o amadurecimento dos cachos nas uvas. Com efeito, no renascimento, ou regeneração, todo vero tende a conjunção com o bem; antes o vero não recebe a vida, por conseguinte, não é frutificado. Isto é representado nos frutos das árvores quando esses frutos amadurecem; nos não maduros, que são aqui os cachos, é representado o estado quando o vero ainda predomina, mas nos frutos maduros, que são aqui as uvas, é representado o estado quando o bem tem o predomínio; o predomínio do bem é também representado no sabor e doçura que prevalece nas uvas maduras. Mas não podem ser ditas mais coisas a respeito da conjunção do vero com o bem no sensual sujeitado à parte intelectual, são arcanos demasiados secretos para que possam ser captados, devem absolutamente preceder os pensamentos a respeito do estado do celeste do espiritual e deste sensual, depois, a respeito do estado do natural em que existe essa conjunção.
[2] Que as uvas signifiquem o bem do homem espiritual, assim, a caridade, é o que se pode ver por várias passagens na Palavra, como em Isaías:
“Uma vinha teve Meu Dileto, no chifre do filho do óleo501; ... esperava que produzisse uvas, mas produziu uvas-silvestres” (5:1, 2, 4);
a ‘vinha’ está no lugar da igreja espiritual; ‘esperava que produzisse uvas’ está pelos bens da caridade; ‘mas produziu uvas-silvestres’ está pelos males do ódio e da vingança.
[3] No mesmo:
“Assim disse JEHOVAH: Do mesmo modo que se encontra o mosto no cacho, e se diz: Não o corrompa, porque [há] bênção nele” (65:8);
o ‘mosto no cacho’ está pelo vero proveniente do bem no natural.
[4] Em Jeremias:
“Colhendo colhê-los-ei, dito de JEHOVAH, não [há] uvas na vide, e não [há] figo na figueira” (8:13);
‘não [há] uvas na vide’ está por não há bem interior, ou racional; ‘não [há] figo na figueira’ está por não há bem exterior, ou natural. Com efeito, a ‘vide’ é o intelectual, como logo acima (n. 5113) se mostrou; quando ali há a conjunção do vero e do bem, a vide é o racional, pois daí vem o racional. (Que a ‘figueira’ seja o bem do natural ou do homem exterior, ver o n. 217.)
[5] Em Oseias:
“Como uvas no deserto encontrei Israel, como o primitivo em uma figueira no seu começo vi os vossos pais” (9:10);
as ‘uvas no deserto’ estão pelo bem racional ainda não tornado espiritual; o ‘primitivo na figueira’ está semelhantemente pelo bem natural; ‘Israel’ está no lugar da igreja espiritual antiga em seu começo; os ‘pais’, aqui e em outros lugares, não são os filhos de Jacó, mas são aqueles com os quais a Igreja Antiga foi primeiramente instaurada.
[6] Em Miqueias:
“Nem um cacho para comer, minha alma desejou o primitivo; pereceu o santo da terra, e não [há] o reto entre os homens” (7:1, 2);
o ‘cacho para comer’ está pelo bem da caridade em seu começo; o ‘primitivo’ está pelo vero da fé também em seu começo.
[7] Em Amós:
“Eis, dias que vêm,... que o que ara chegará ao que semeia, e o que pisa as uvas, ao que traz a semente; [e os montes destilarão o mosto, e todas as colinas derreterão.] E retirarei o cativeiro do Meu povo,... para que edifiquem as cidades devastadas, e se assentem e plantem vinhas, e bebam o vinho delas, e façam jardins, e comam o fruto deles” (9:13, 14);
trata-se ali da instauração da igreja espiritual, que é assim descrita; a conjunção do bem espiritual com o seu vero por isso, que ‘chegará o que ara ao que semeia’; e a conjunção do vero espiritual com o seu bem por isso, que ‘chegará o que pisa as uvas ao que traz a semente’; os bens do amor e da caridade são significados por isso, que ‘as montanhas destilarão o mosto e que as colinas derreterão’; ‘reconduzir o cativeiro do povo’ está por livrar dos falsos; ‘edificar as cidades devastadas’ está por retificar os doutrinais do vero que foram falsificados; ‘assentar-se e plantar vinhas’ está por cultivar bem as coisas que são da igreja espiritual; ‘beber o vinho delas’ está por apropriar-se dos veros dessa igreja, que pertencem à caridade; ‘fazer jardins e comer os frutos deles’, por apropriar-se os bens daí. Qualquer um pode ver que edificar cidades, plantar vinhas, beber vinho, fazer jardins e comer o fruto deles sejam coisas meramente naturais, nas quais a não ser que houvesse um sentido espiritual, nada haveria de Divino nelas ali.
[8] Em Moisés:
“Lavou no vinho a veste, e no sangue das uvas o seu véu” (Gn. 49:11);
aqui se trata do Senhor; o ‘vinho’ está pelo bem espiritual proveniente do amor Divino, o ‘sangue das uvas’ pelo bem celeste que daí provém.
[9] No mesmo:
“A manteiga do gado, e o leite do rebanho, com a gordura dos cordeiros e dos carneiros dos filhos de Bashan, e dos cabritos com a gordura dos rins do trigo, e bebes o sangue da uva, o vinho puro” (Dt. 32:14);
ali se trata da Igreja Antiga, cujos bens do amor e da caridade são descritos desse modo; essas expressões significam, cada uma, algum bem especificamente: o ‘sangue da uva’, o bem espiritual celeste, assim é chamado no céu o Divino procedente do Senhor; o ‘vinho’ é chamado ‘sangue das uvas’, porque um e o outro significam o santo vero procedente do Senhor; mas predica-se o ‘vinho’ da igreja espiritual, e predica-se o ‘sangue’ da igreja celeste, e porque é assim, o vinho foi ordenado na Santa Ceia.
[10] No mesmo:
“Da vide de Sodoma, a vide deles, e dos campos de Gomorra; as suas uvas [são] uvas de fel, cachos de amargura para eles” (Dt. 32:32);
trata-se ali da Igreja Judaica; ‘da vide de Sodoma, a vide deles e dos campos de Gomorra’ está no lugar de que a parte intelectual foi obsedada pelos falsos provenientes do amor infernal; ‘as suas uvas [são] uvas de fel, cachos de amargura para eles’ está por que o voluntário ali [foi obsedado] semelhantemente. Com efeito, a uva, porque está no sentido bom, significa a caridade, por isso é predicada dos voluntários, mas a respeito do voluntário na parte intelectual, no sentido oposto semelhantemente, pois todo vero pertence ao entendimento e todo bem pertence à vontade.
[11] Em João:
“O Anjo disse: Lança a foice aguda, e vindima os cachos da terra, porque amadureceram as uvas dela” (Ap. 14:18);
‘vindimar os cachos da terra’ está por destruir todas as coisas da caridade.
[12] Em Mateus:
“Pelos frutos deles conhecê-los-eis; será que se colhem uvas dos espinheiros, e dos cardos, figo?” (7:16).
E em Lucas:
“Toda árvore é conhecida pelo próprio fruto; pois dos espinhos não se colhem figos, nem do espinheiro se vindima uva” (6:44);
como aqui se trata da caridade para com o próximo, diz-se que eles serão conhecidos pelos frutos, que são os bens da caridade; os bens internos da caridade são as ‘uvas’, e os bens externos são os ‘figos’.
[13] Que a lei na Igreja Judaica tenha sido dada:
“Quando vieres à vinha do teu companheiro, comerás uvas segundo a tua alma, à tua saciedade, mas no teu vaso não porás” (Dt. 23:25);
envolve que cada um pode, com outros que estão em outra doutrina e em outra religião, aprender e aceitar os bens da caridade deles, mas não se imbuir deles e os conjungir aos seus veros; a ‘vinha’, porque é a igreja, é onde há a doutrina ou a religião; as ‘uvas’ são os bens da caridade, o ‘vaso’ é o vero da igreja.