ac 5119

Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

. ‘E tomei as uvas e as espremi na taça do faraó’; que signifique o influxo recíproco nos bens de origem espiritual ali, vê-se pela significação das ‘uvas’, que são os bens da caridade (n. 5117), assim, os bens de origem espiritual, pois todos os bens da genuína caridade têm essa origem; e pela significação de ‘espremer na taça do faraó’, que é o influxo recíproco. Por influxo recíproco não se entende que o natural exterior influa no interior, porque isto é impossível, pois os exteriores não podem de modo algum influir nos interiores, ou, o que é o mesmo, os inferiores ou os posteriores não podem de modo algum influir nos superiores ou nos anteriores, mas pelo racional são evocadas as coisas que estão no natural interior, e por meio deste, as que estão no exterior. Não que essas coisas mesmas que estão ali sejam evocadas, mas sim as que por elas são concluídas ou, por assim dizer, delas extraídas. Tal é o influxo recíproco. Parece que as coisas que estão no mundo influem por meio dos sensuais em direção às interiores, mas é uma falácia dos sentidos. Há influxo dos interiores nos exteriores, e por meio desse influxo há a apercepção. A respeito desse assunto, estive algumas vezes em conversação com os espíritos, e se mostrou por vivas experiências, que o homem interior vê e apercebe no homem exterior o que acontece fora deste [quid peragitur extra hunc], e que a vida não venha de outro lugar aos sensuais, ou que não venha de outro lugar a faculdade de sentir, nem a sensação. Contudo, essa falácia é tal e tão grande, que ela não pode de modo algum ser dissipada pelo homem natural, e de fato nem pelo homem racional, a não ser que este possa pensar fazendo abstração do sensual. Essas coisas foram ditas para que se saiba o que é o influxo recíproco.

Versão impressa (opcional)

Para estudo mais confortável, você pode adquirir esta obra em formato impresso: ver orientações.