. ‘Porém, lembra[-te] de mim contigo’; que signifique a recepção da fé, vê-se pela representação de ‘José’ (que diz estas coisas a respeito de si), que é o Senhor quanto ao celeste no natural (n. 5086, 5087, 5106); e pela significação de ‘lembra[-te] de mim contigo’, que é a recepção da fé, pois lembrar-se e recordar-se do Senhor não vem de outro lugar senão da fé; daí ‘lembra[-te] de mim contigo’ é para que ele receba a fé. Quanto à fé, assim se tem: Aquele que a recebe e que a tem está continuamente na recordação do Senhor, e isso também quando pensa ou fala a respeito de outra coisa, e também quando ele desempenha os seus deveres públicos ou privados ou domésticos, e ainda que não saiba que então se recorda do Senhor, pois a recordação do Senhor pelos que estão na fé está universalmente reinante, e aquilo que reina universalmente, isto não é apercebido, exceto quando o pensamento é determinado a isso. [2] Isto pode ser ilustrado por muitas coisasno homem. Aquele que está em algum amor, seja ele qual for, este pensa continuamente a respeito das coisas que dizem respeito a esse amor, e isto ainda quando está em outras coisas pelo pensamento, pela palavra ou pela ação; isto se evidencia manifestamente na outra vida pelas esferas espirituais que estão em torno de cada um. Ali, simplesmente pelas esferas, todos são conhecidos quanto à fé em que estão equanto ao amor, e isso embora pensem absolutamente em outra coisa (n. 1048, 1053, 1316, 1504 a 1520, 2488, 4464). Com efeito, aquilo que reina universalmente em alguém, isto produz essa esfera e manifesta a sua vida diante dos outros; daí se pode ver o que se entende por isto: que se deva continuamente pensar a respeito do Senhor, da salvação e da vida depois da morte; todos que estão na fé proveniente da caridade fazem isto. Daí vem que eles não pensem o mal do próximo e que tenham com eles a justiça e a equidade em cada coisa do pensamento, da linguagem e da ação, porquanto o que reina universalmente, isto influi em cada uma dessas coisas, e as conduz e as rege. Com efeito, o Senhor mantém a mente do homem nas coisas que pertencem à caridade e à fé proveniente da caridade, e dispõe assim cada uma dessas coisas de um modo conveniente. A esfera da fé proveniente da caridade é a esfera que reina no céu, pois o Senhor influi com amor e, pelo amor, com a caridade, consequentemente, com os veros que pertencem à fé; daí vem que aqueles que estão no céu dizem estar no Senhor. [3] Trata-se, nas coisas que agora seguem, do renascimento do sensual sujeitado à parte intelectual, que é representado pelo ‘copeiro’; e como se trata do renascimento do sensual, trata-se da recepção da fé, pois o sensual, assim como o racional, renasce por meio da fé, mas pela fé em que influi a caridade. A não ser que a caridade influa na fé e lhe dê a vida, nunca a fé pode reinar universalmente, pois o que o homem ama, isto reina, mas não o que ele somente sabe e retém na memória.