. ‘Quando for bem a ti’; que signifique quando há correspondência, vê-se pela significação de ‘for bem a ti’, quando se trata do renascimento, ou regeneração, do natural exterior, ou sensual, que é a correspondência, pois antes não vai bem para ele senão quando corresponde. O que é a correspondência pode-se ver no fim dos capítulos; há correspondência dos sensuais com os naturais, e há correspondência dos naturais com os espirituais, e há correspondência dos espirituais com os celestes e, por fim, há correspondência dos celestes com o Divino do Senhor; assim há correspondências sucessivas desde o Divino até o último natural. [2] Como com dificuldade pode ser formada uma ideia a respeito das correspondências, quais são, por aqueles que antes nada pensaram acerca da correspondência, por isso devem ser ditas umas poucas palavras. Sabe-se pela filosofia que o fim é o primeiro da causa, e que a causa é o primeiro do efeito; para que o fim, a causa e o efeito sejam consequentes505 e ajam como um é necessário que o efeito corresponda à causa e a causa corresponda ao fim; mas ainda assim o fim não se mostra como causa, nem a causa como efeito, uma vez que para que o fim produza a causa, ele deverá adquirir, da região onde está a causa, os meios diretores por meio dos quais o fim fará a causa, assim como a causa produzirá o efeito; adquirirá também da região onde está o efeito os meios diretores por meio dos quais a causa fará o efeito; são esses meios diretores que correspondem, e porque correspondem, o fim pode estar na causa e impelir a causa, e a causa estar no efeito e fazer o efeito, consequentemente, o fim pode por meio da causa fazer o efeito. Mas não acontece o mesmo quando não há correspondência; então o fim não tem uma causa em que esteja, e menos ainda um efeito no qual esteja, mas o fim é mudado e variado na causa e, por fim, no efeito, segundo a forma que os meios diretores produzem. [3] Todas e cada uma das coisas no homem, e mesmo todas e cada uma das coisas na natureza, sucedem do mesmo modo como o fim, a causa e o efeito, e quando assim se correspondem, então fazem um, pois então o fim é tudo em todas as coisas da causa e, pela causa, é tudo em todas as coisas do efeito. Como exemplo: quando o amor celeste é o fim, a vontade é a causa, e ação é o efeito; se há correspondência, então esse amor influi na vontade, e a vontade, na ação, e assim eles fazem um a tal ponto que, pela correspondência, a ação se torna, por assim dizer, o amor; ou como quando a fé que pertence à caridade é o fim, o pensamento é a causa, e o discurso é o efeito; se há correspondência, então a fé proveniente da caridade influi no pensamento, e este no discurso, e assim fazem um, a tal ponto que, pela correspondência, o discurso torna-se, por assim dizer, o fim. Contudo, para que o fim, que é o amor ou a fé, produza a causa, que é a vontade ou o pensamento, deverá adquirir os meios diretores na mente racional, os quais deverão corresponder, pois, sem os meios diretores que correspondam, não pode o fim, que é o amor ou a fé, ser recebido, seja qual for o modo que o Senhor influa pelo céu. Daí é evidente que os interiores e os exteriores do homem, isto é, os racionais, os naturais e os sensuais dele, devam ser reconduzidos à correspondência para que o homem possa receber o influxo Divino, consequentemente, para que possa renascer, e que antes isso não vá bem para ele. Daí agora vem que aqui por ‘quando for bem a ti’ é significada a correspondência.