Texto
. ‘Que tinha interpretado [o que era] bom’; que signifique o que devia acontecer, vê-se pela significação de ‘interpretar’, que é o que ele tinha em si, ou o que estava nesse sonho, do que se tratou acima (n. 5093, 5105, 5107, 5121); assim, também o que devia acontecer. Que devia acontecer alguma coisa de bem, é uma apercepção proveniente do sensual, apercepção que é relativamente obscura. Há na realidade uma apercepção oriunda do sensual (ou natural exterior) e uma apercepção oriunda do natural interior, e uma apercepção oriunda do racional. Com efeito, o homem quando está no pensamento interior proveniente da afeição e desvia a mente das coisas sensuais e das corporais, então está na apercepção racional, pois então descansam as coisas que estão abaixo ou que pertencem ao homem externo, e nesse momento o homem está quase em seu espírito. Mas quando o homem está no pensamento exterior, em razão dos motivos que existem no mundo, então sua apercepção vem do natural interior; o racional na realidade influi, mas não com alguma vida da afeição. Porém, quando o homem está nas voluptuosidades e nos prazeres do amor do mundo, e também do amor de si, então a apercepção provém do sensual, nessa ocasião a sua vida está nos externos, ou no corpo, e ele não admite mais o que procede dos interiores, senão o quanto é necessário para moderar as irrupções nas coisas desonestas e indecorosas. Contudo, quanto mais a apercepção é exterior, tanto mais ela é obscura, pois os exteriores são relativamente gerais. De fato, inúmeros interiores aparecem como um só no exterior.