ac 5144

Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

. ‘E eis três cestos’; que signifique os sucessivos dos voluntários, vê-se pela significação de ‘três’, que é o completo e contínuo até o fim (n. 2788, 4495, 5114, 5122), assim, o sucessivo; e pela significação dos ‘cestos’, que são os voluntários. Que os ‘cestos’ sejam os voluntários, é porque eles são vasos continentes das comidas e porque as comidas significam os bens celestes e espirituais, e estes pertencem à vontade. Com efeito, todo bem pertence à vontade e todo vero ao entendimento; desde que alguma coisa procede da vontade, isso é percebido como bem. Nas explicações precedentes, tratou-se do sensual sujeitado à parte intelectual, o que foi representado pelo ‘copeiro’; aqui, agora se trata do sensual sujeitado à parte voluntária, que é representada pelo ‘padeiro’ (n. 5077, 5078, 5082).
[2] O sucessivo ou o contínuo dos intelectuais foi representado pela ‘vide’, os seus ‘três sarmentos’, as ‘flores’, os ‘cachos’, as ‘uvas’; e, por fim, o vero pertencente ao intelectual foi representado pela ‘taça’ (n. 5120); mas o sucessivo dos voluntários é representado pelos ‘três cestos sobre a cabeça, no mais alto dos quais havia de toda comida do faraó, obra de padeiro’. Pelo sucessivo dos voluntários entende-se o sucessivo desde os íntimos no homem até o seu mais externo, no qual está o sensual. Há, com efeito, desde os íntimos até os mais externos, degraus como se fossem os de uma escada (n. 5114); no íntimo influi o bem que procede do Senhor, e este influi por meio do racional no natural interior e, daí, distintamente no natural exterior, ou sensual, como se fosse por meio de degraus de uma escada, e em cada degrau ele é qualificado segundo a recepção; mas como acontece ulteriormente em relação a esse influxo e seu sucessivo, dir-se-á nas explicações que seguem.
[3] Os ‘cestos’, ou cestas, do mesmo modo em outras passagens na Palavra, significam também os voluntários tanto quanto ali há os bens; por exemplo, em Jeremias:
“Mostrou-me JEHOVAH, quando, eis, duas cestas de figos, colocadas diante do templo de JEHOVAH;... em uma cesta figos muito bons, como figos produzindo as primícias; mas na outra cesta figos muito maus, que não puderam ser comidos por causa da má qualidade” (24:1, 2, 3);
nesta passagem, a ‘cesta’ é expressa, na língua original, por uma outra palavra508, significando o voluntário no natural; os ‘figos’ que estão em uma cesta são os bens naturais, mas os que estão na segunda são os males naturais.
[4] Em Moisés:
“Quando vieres à terra que JEHOVAH, teu DEUS, te der,... tomarás das primícias de todo fruto da terra que trouxeres da tua terra, ...e porás em uma alcofa, e irás ao lugar que JEHOVAH terá escolhido; ...então o sacerdote tomará a alcofa da tua mão e a fixará diante do altar de JEHOVAH, teu DEUS” (Dt. 26:1, 2, 3, 4).
A ‘alcofa’509 é também uma outra palavra, significando o voluntário novo na parte intelectual; as primícias do fruto da terra são os bens que daí provêm.
[5] No mesmo:
“E para santificar a Aharão e os filhos dele, Moisés tomará um pão dos asmos e bolos dos asmos amassados com azeite, e bolinhos de asmos untados com azeite, de farinha fina de trigo fá-los-á; e pô-los-á sobre um cesto só, e aproximá-lo-á no cesto. Comerá Aharão e os filhos dele carne de carneiro e pão no cesto à porta da tenda de convenção” (Êx. 29:2, 3, 32)510.
Nesta passagem o ‘cesto’ é expresso pela mesma palavra que o cesto neste capítulo, significando o voluntário em que estão os bens significados pelo ‘pão’, os ‘bolos’, o ‘azeite’, os ‘bolinhos’, a ‘farinha fina’ e o ‘trigo’; pelo voluntário entende-se o continente, pois o bem procedente do Senhor influi nas formas interiores do homem como em seus vasos; formas que, se foram dispostas à recepção, são os cestos em que estão esses bens.
[6] No mesmo:
“Quando for inaugurado o nazireu, tomará um cesto de asmos de fina farinha, bolos amassados com azeite, e bolinhos de asmos untados com azeite, com a minchah deles e as libações deles; do carneiro também fará um sacrifício de pacíficos a JEHOVAH, além do cesto dos asmos; e o sacerdote tomará a espádua cozida do carneiro, e um bolo asmo do cesto, e bolinho asmo, um; e porá sobre a mão do nazireu, e os agitará em agitação perante JEHOVAH” (Nm. 6:15, 17, 19);
ali também o ‘cesto’ está pelo voluntário como continente; os ‘bolos’, os ‘bolinhos’, o ‘azeite’, a ‘minchah’, a ‘espádua cozida do carneiro’ são os bens celestes que eram representados. Com efeito, o ‘nazireu’ representava o homem celeste (n. 3301).
[7] Nesse tempo, semelhantes coisas que serviam ao culto eram levadas em cestos ou alcofas; o mesmo sucedeu com o cabritinho das cabras que Gideão apresentou ao anjo debaixo do carvalho (Jz. 6:19); e isso por essa causa, porque os cestos e as alcofas representavam os continentes, e as coisas que neles estavam representavam os conteúdos.

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