ac 5149

Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

. ‘E a ave a comia do cesto de sobre a cabeça’513; que signifique que o falso proveniente do mal consumia [esse bem], vê-se pela significação da ‘ave’, que são as coisas intelectuais e, também, os pensamentos, por conseguinte, as coisas que daí provêm, a saber, no sentido genuíno, os veros de cada gênero, e no sentido oposto, os falsos (no. 40, 745, 776, 778, 866, 988, 3219); pela significação de ‘comer’, que é consumir. Na língua original a palavra ‘comer’ denota também consumir. E tambémse vê pela significação do ‘cesto’, que é o voluntário (n. 5144, 5146), aqui, o mal proveniente do voluntário, porque é um ‘cesto furado’ (n. 5145). Daí se segue que pela ‘ave comendo do cesto de sobre a cabeça’ é significado o falso proveniente do mal que consumia [esse bem].
[2] O falso é de dupla origem, a saber, há o falso da doutrina e há o falso do mal; o falso da doutrina não consome os bens, pois o homem pode estar no falso da doutrina e, todavia, no bem; e é por esse motivo que são salvas pessoas de toda doutrina, até mesmo os gentios; mas é o falso do mal que consome os bens; o mal mesmo é oposto ao bem, porém, por si só ele não consome os bens, mas sim por meio do falso, pois o falso ataca os veros que pertencem ao bem. Com efeito, os veros são como muralhas por dentro das quais está o bem; as muralhas são atacadas pelo falso e depois do assalto o bem é entregue a destruição [devotioni datur].
[3] Aquele que não sabe que as ‘aves’ significam as coisas intelectuais, não pode saber outra coisa senão que aí na Palavra são mencionadas as aves, ou seja, são as aves que são entendidas, ou que pelas aves sejam designadas coisas comparativas quais as de um discurso comum. Que as ‘aves’ sejam coisasrelativas a coisas intelectuais, como pensamentos, ideias, raciocínios, princípios, por conseguinte, os veros ou os falsos, ninguém pode saber senão pelo sentido interno; por exemplo em Lucas:
“O reino de Deus é semelhante a um grão de mostarda, que, tomando, um homem o lançou no seu jardim; e cresceu e tornou-se em árvore grande, de modo que as aves do céu habitaram nos seus ramos” (13:19);
a ‘ave dos céus’ aí está pelos veros.
[4] Em Ezequiel:
“Sairá em cedro magnífico, e habitarão debaixo dele todas as aves de qualquer asa, à sombra dos ramos dele habitarão” (17:23);
as ‘aves de qualquer asa’ estão pelos veros de todo gênero. No mesmo:
“Asshur [era] um cedro no Líbano, nos ramos dele aninharam-se todas as aves dos céus, e sob os seus ramos pariram todas as bestas do campo, e na sua sombra habitaram todas as nações grandes” (Ez. 31:6);
as ‘aves dos céus’ estão semelhantemente no lugar dos veros. No mesmo:
“Sobre a sua ruína habitarão todas as aves dos céus, e sobre os seus ramos estarão todas as feras do campo” (Ez. 31:13);
as ‘aves dos céus’ estão pelos falsos. Em Daniel:
“Nabucodonosor, vendo em um sonho, eis uma árvore no meio da terra, ... debaixo dela a besta do campo tinha sombra; e nos seus ramos habitavam as aves do céu” (4:7, 9, 11, 18 [Em JFA, 4:10, 12, 14, 21]);
as ‘aves do céu’ também aí estão pelos falsos. Em Jeremias:
“Vi, quando eis, não [havia] homem, e todas as aves do céu fugiram voando” (4:25);
‘não [havia] homem’ está por ‘não há bem’ (n. 4287); as ‘aves do céu que fugiram voando’ estão pelos veros que foram dissipados. No mesmo:
“Desde a ave dos céus até a besta, fugiram voando, [e] se foram” (Jr. 9:9[Em JFA, 9:10]);
semelhantemente. Em Mateus:
“Saiu o semeador a semear, ... e uma parte caiu sobre o caminho duro, e vieram as aves e comeram” (13:3, 4);
aí ‘as aves do céu’ estão pelos raciocínios e também pelos falsos; semelhantemente em várias outras passagens.

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