Texto
. ‘E a ave comerá a tua carne de sobre ti’; que signifique que o falso do mal consumirá as coisas pertencentes a esses sensuais, vê-se pela significação de ‘comer’, que é consumir (n. 5149); pela significação da ‘ave’, que é o falso, de que também se tratou acima (n. 5149); pela significação da ‘carne’, que é o bem (n. 3812, 3813), daí, no sentido oposto, o mal; a maioria das coisas na Palavra tem um sentido oposto, que é conhecido a partir da significação delas no sentido genuíno; e pela significação de ‘de sobre ti’, que é dos sensuais sujeitados à parte voluntária, pois esses sensuais são representados pelo padeiro (n. 5078, 5082); que estas coisas foram males e, por isso, deviam ser rejeitadas, vê-se pelas explicações que precedem.
[2] O modo como acontece com estas coisas, a saber, que os sensuais sujeitados à parte intelectual, sensuais que são representados pelo copeiro, tenham sido retidos, e que os sensuais sujeitados à parte voluntária, os quais são representados pelo padeiro tenham sido rejeitados, é um arcano que não pode ser compreendido sem iluminação, mas sejam estas explicações para alguma elucidação: Por sensuais entendem-se aqueles conhecimentos e aqueles prazeres que foram insinuados por meio dos cinco sentidos externos (ou do corpo) na memória do homem e em suas concupiscências, e que constituem, ao mesmo tempo, o natural exterior em razão do qual o homem se chama homem sensual. Esses conhecimentos foram sujeitados à parte intelectual, mas os prazeres o foram à parte voluntária. Esses conhecimentos referem-se também aos veros pertencentes ao entendimento, e esses prazeres referem-se aos bens pertencentes à vontade; são aqueles conhecimentos que são representados pelo copeiro e que foram retidos, mas são esses prazeres que são representados pelo padeiro e que foram rejeitados. Que aqueles tenham sido retidos, é porque eles ao tempo puderam concordar com os intelectuais; mas que estes tenham sido rejeitados, é porque não puderam concordar de modo algum. Com efeito, no Senhor, de Quem se trata no sentido interno supremo, o voluntário foi Divino pela concepção e foi o Divino Bem mesmo, mas o voluntário procedente da mãe por nascimento foi o mal; era por isso que este devia ser rejeitado, e em seu lugar um novo devia ser adquirido do Divino Voluntário por meio do Intelectual, ou a partir do Divino Bem por meio do Divino Vero, assim, do próprio poder. Este é o arcano que se descreve aqui no sentido interno.