ac 5159

Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

. ‘E aconteceu no terceiro dia’; que signifique no último, vê-se pela significação do ‘terceiro dia’, que é o último do estado, porquanto o ‘dia’ é o estado (n. 23, 487, 488, 493, 893, 2788, 3462, 3785, 4850), e o ‘terceiro’ é o completo, assim, o último (n. 1825, 2788, 4495). Por último do estado entende-se quando um estado anterior finaliza e um novo começa; o novo estado, no homem que está sendo regenerado, começa quando a ordem é invertida, o que então acontece quando os interiores recebem o domínio sobre os exteriores, e os exteriores começam a servir aos interiores, tanto quanto aos intelectuais, como quanto aos voluntários; isto, naqueles que são regenerados, é apercebido a partir disto, que alguma coisa por dentro dissuada para que os prazeres sensuais e as voluptuosidades corporais ou terrestres não reinem enão arrastem para suas partes os intelectuais para confirmar. Quando isso acontece, o estado anterior está em seu último e o estado novo em seu primeiro; tal estado é significado pelo ‘terceiro dia’.
[2] Em cada homem, seja regenerado ou não regenerado, existem mudanças de estado, e também inversões de estado, mas de um modonaqueles que são regenerados, e de outro modo naqueles que não são regenerados.Naqueles que não são regenerados, essas mudanças ou essas inversões se fazem a partir de causas no corpo e por causas na vida civil. As causas no corpo são cobiças que sobrevêm com a idade e se vão com a idade, depois reflexões sobre a sanidade do corpo e uma vida longeva no mundo. As causas na vida civil são freios aparentes das cobiças externas, principalmente para obter reputação para que seja visto sábio e amante do justo e do bem, mas por causa do fim de adquirir honras e ganhos. Ao contrário, naqueles que são regenerados, essas mudanças ou inversões se fazem por causas espirituais, que procedem do bem mesmo e do justo mesmo, e quando o homem começa a ser afetado, então está no fim do estado anterior e no começo do novo.
[3] Contudo, poucos podem saber como acontece com essas coisas, é por isso que se deve ilustrar com um exemplo: aquele que não se permite regenerar, este ama as coisas que são do corpo e por causa do corpo, mas não por causa de algum outro fim; e também ama o mundo por causa do mundo, não vai mais alto, porque as coisas que são mais altas ou mais interiores, ele nega de coração. Ao contrário, aquele que é regenerado, este também ama as coisas que pertencem ao corpo, bem como as que pertencem ao mundo, mas por causa de um fim mais elevado ou interior, pois ama as coisas que são do corpo por causa de um fim, para que haja uma mente sã em um corpo são, e ama a sua mente e a sanidade dela por causa de um fim ainda mais interior, a saber, para que saiba o bem e entenda o vero; ele ama também igualmente as coisas que são do mundo, como os outros, mas por causa deste fim: para que por meio do mundo, por suas riquezas, posses, honras, ele esteja nos meios de exercitar o bem e o vero, o justo e o equitativo.
[4] Por esse exemplo se pode saber qual é um e qual é o outro [o não regenerado e o regenerado], e que na forma externa eles se mostrem semelhantes, mas que na interna são absolutamente dissemelhantes. A partir disso também se pode ver o que são e quais são as coisas que fazem as mudanças e as inversões de estado naqueles que não são regenerados e naqueles que são regenerados; e daí também se pode saber que nos regenerados os interiores dominam sobre os exteriores, mas nos não regenerados os exteriores dominam sobre os interiores. Os fins que estão no homem são aquilo que domina, pois os fins subordinam e sujeitam a si todas as coisas que estão no homem; a vida mesmíssima dele não vem de outro lugar senão do fim, porque o fim é sempre o seu amor.

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