Texto
. ‘Como José havia interpretado’; que signifique a predição procedente do celeste no natural, vê-se pela significação de ‘interpretar’, que é dizer o que tem em si, ou o que estava nele, depois, o que devia acontecer (n. 5093, 5105, 5107, 5141), portanto, é predizer; e pela representação de ‘José’, que é o celeste no natural (n. 5086, 5087, 5106). Como acontece com essas coisas, a saber, que os sensuais da parte intelectual sejam retidos, e os sensuais da parte voluntária rejeitados, foi visto acima (n. 5157).
[2] Trata-se, neste capítulo, no sentido interno, da subordinação do natural exterior, que deve estar subordinado por essa causa: para que sirva como plano para o natural interior (n. 5165), pois, a não ser que ele seja subordinado, os veros e os bens interiores não têm onde possam ser representados, consequentemente, nem os pensamentos interiores que têm em si o espiritual e o celeste, porquanto é aí que esses interiores se apresentam como em sua face ou como em um espelho. É por essa razão que, quando a subordinação é nula, o homem não pode ter nenhum pensamento interior, e mesmo nenhuma fé, pois a compreensão remota ou saliente é nula e, por isso, não há nenhuma apercepção de tais coisas. O que subordina o natural e o reconduz à correspondência é unicamente o bem no qual há a inocência, bem que na Palavra se chama caridade; as coisas sensuais e dos conhecimentos são somente meios em que esse bem influi e se estabelece em uma forma, e se estende a todo uso. Mas os conhecimentos, embora sejam os veros mesmos da fé, sem esse bem neles, não são outra coisa senão escamas que caementre as imundícies.
[3] No entanto, o modo como os exteriores são reconduzidos à ordem e à correspondência com os interiores por meio do bem por intermédio dos conhecimentos e dos veros da fé está hoje mais afastado de ser compreendido do que esteve outrora; e isto por várias causas, principalmente por causa disso, que hoje, dentro da igreja, não há mais nenhuma caridade. É, com efeito, o último tempo da igreja; por conseguinte, não há mais nenhuma afeição de saber tais coisas. É por isso que logo sobrevém uma aversão quando se diz alguma coisa que está dentro ou acima das coisas sensuais, consequentemente, quando alguma coisa é extraída de tais coisas pertencentes à sabedoria angélica. No entanto, como no sentido interno há tais coisas, visto que as coisas que estão no sentido interno são adequadas à sabedoria angélica, e como a Palavra é agora explicada quanto ao sentido interno, devem ainda assim ser ditas, embora devam parecer afastadas do sensual.