Texto
. Na outra vida, há muitos modos de tormentos, e também muitos modos de inaugurações em giros; esses tormentos são representados pelas purificações do sangue, do soro ou da linfa, bem como pelas purificações do quilo no corpo, as quais também são feitas por meio de diversos castigos. E essas inaugurações em giros são representadas pelas introduções desses fluidos para os usos posteriormente. Na outra vida, é coisa muitíssimo comum que os espíritos, depois de terem sido atormentados, sejam postos depois em um estado tranquilo e prazeroso, por conseguinte, nas sociedades em que eles devem ser inaugurados e adjuntos.
[2] Que as correções e as purificações do sangue, do plasma e do quilo, depois também as dos alimentos no estômago, correspondam a tais coisas no mundo espiritual, é o que não pode deixar de parecer estranho aos que pensam que não há outra coisa senão o natural nas coisas naturais, e mais ainda aos que o creem, negando assim que haja ou possa haver no natural alguma coisa de espiritual que atua e dirige, quando, todavia, as coisas acontecem assim: é que em todas e em cada uma das coisas que estão na natureza e em seus três reinos há interiormente um agente que provêm do mundo espiritual. Se um tal agente aí não estivesse, nada absolutamente no mundo natural acionaria a causa e o efeito, por conseguinte, nem coisa alguma se produziria. Aquilo que, do mundo espiritual, está nas coisas naturais chama-se força ínsita desde a primeira criação, mas é um empenho, o qual cessando, cessa a ação ou o movimento. Daí vem que todo o mundo visível é o teatro representativo do mundo espiritual.
[3] Acontece com isso como com o movimento dos músculos, de onde resulta a ação; se não houvesse no movimento dos músculos um empenho proveniente do pensamento e da vontade do homem, esse movimento cessaria no mesmo instante, pois é conforme as regras conhecidas no mundo erudito, que cessando o empenho, cessa o movimento; depois também, que no empenho há o todo da determinação, bem como que no movimento nada existe de real a não ser o empenho. Que essa força ou esse empenho na ação ou no movimento seja o espiritual no natural, é evidente, pois pensar e querer é espiritual, mas agir e ser movido é natural. Aqueles que não pensam além da natureza nem sequer isso compreendem, mas mesmo assim não podem negar. Contudo, aquilo que se produz na vontade e, daí, no pensamento, não é semelhante na forma junto com a ação que é produzida, uma vez que a ação representa somente o que a mente quer e pensa.