. ‘Subiam sete vacas’; que signifique os veros do natural, vê-se pela significação das ‘vacas’, que são os veros do natural, de que se tratará no que segue; que tenham sido sete, é porque ‘sete’ significa o que é santo (n. 395, 433, 716); e daí esse número acrescenta santidade a coisa de que se trata (n. 881); é também de uma coisa santa que aqui se trata, pois se trata de um renascimento ulterior do natural por meio da conjunção dele com o celeste do espiritual. Que as ‘vacas’ ou as ‘novilhas’ signifiquem os veros do natural, pode-se ver a partir disto, que os ‘bois’ e os ‘novilhos’ signifiquem os bens do natural (n. 2180, 2566, 2781, 2830). Com efeito, na Palavra, onde o masculino [ou macho] significa o bem, ali o feminino [ou fêmea] significa o vero, e vice-versa, onde o masculino [ou macho] significa o vero, ali o feminino [ou fêmea] significa o bem; daí vem que a ‘vaca’ signifique o vero do natural, porque o ‘boi’ significa o bem do natural. [2] Que todas as bestas, sejam elas quais forem, que são nomeadas na Palavra signifiquem as afeições, as bestas más e inúteis, as afeições más, as bestas mansas e úteis, as afeições boas, vê-se nos n. 45, 46, 142, 143, 240, 714, 713, 719, 776, 1823, 2179, 2180, 3218, 3519. O motivo de elas significarem vem das coisas representativas no mundo dos espíritos, pois, quando no céu há discurso a respeito das afeições, então no mundo dos espíritos são representadas bestas que correspondem aos gêneros de afeições a respeito das quais há o discurso, o que me foi dado ver muitas vezes; e algumas vezes fiquei muito surpreso de onde isso vinha, mas percebi que as vidas das bestas não são outra coisa senão afeições, porquanto seguem sua afeição por instinto, sem razão, e são assim levadas cada uma para o seu uso. A essas afeições sem razão não competem formas diferentes de corpo do que as em que eles aparecem sobre a terra. Daí vem que, quando o discurso trata somente das afeições, as formas últimas dessas afeições apareçam semelhantes às formas dos corpos de tais bestas, pois essas afeições não podem assumir formas diferentes senão as que correspondem. Vi também bestas estranhas [peregrinæ] que não existem em parte alguma no mundo; elas provinham de afeições desconhecidas e de afeições mistas. [3] Daí vem então que pelas bestas, na Palavra, são significadas as afeições, mas é unicamente pelo sentido interno que se vê claramente que afeições elas significam. Que pelos ‘bois’ é significado o bem do natural, vê-se nos lugares citados acima; e que pelas ‘vacas’ os veros do natural, pode-se ver por essas passagens onde elas são mencionadas, por exemplo, em Isaías, 11:7; Oseias, 4:16; Amós, 4:1. Depois, também pela ‘água de separação’ na qual eram purificados, que era preparada a partir de ‘uma vaca ruiva’ queimada até as cinzas fora do acampamento, a que era misturada madeira de cedro, hissopo e escarlate duas vezes tingido (Nm. 19:2 ao 11). Esse processo, quando é descoberto por meio do sentido interno, indica que pela vaca ruiva era significado o vero impuro do natural, que se torna puro pela combustão, depois também pelas coisas tais que são significadas por meio da madeira de cedro, o hissopo e o escarlate duas vezes tingido; por isso a água representava o meio de purificação.