Texto
. ‘Belas de aparência’; que signifique as coisas que pertencem à fé, vê-se pela significação da ‘beleza’ e da ‘aparência’; a beleza espiritual é a afeição do vero interno; e a aparência espiritual é a fé; daí por ‘belas de aparência’ é significada a afeição do vero da fé (ver n. 553, 3086, 3821, 4985). Que a beleza espiritual seja a afeição do vero interior, vem disso: que o vero é a forma de bem. É o bem mesmo, que procede do Divino no céu, do qual há vida para os anjos, mas a forma da vida deles existe pelos veros que procedem desse bem; entretanto, o vero da fé não faz a beleza, mas sim a afeição mesma que está nos veros da fé, afeição que procede do bem. A beleza proveniente somente do vero da fé se tem como a beleza de uma face pintada ou esculpida, mas a beleza oriunda da afeição do vero proveniente do bem é como a beleza de uma face viva, animada pelo amor celeste, pois qual é o amor ou qual é a afeição que reluz da forma da face, tal é a beleza. Daí vem que os anjos aparecem com uma beleza inefável; das faces deles reluz o bem do amor por meio do vero da fé, estas não só aparecem diante da visão, mas também são percebidos pelas esferas que provêm dos anjos. A causa de que a beleza provém daí, é porque o céu inteiro é o Máximo Homem e corresponde a todas e cada uma das coisas no homem. Aquele, portanto, que está no bem do amor e, daí, no vero da fé está na forma do céu, consequentemente, na beleza em que está o céu, onde o Divino que procede do Senhor é tudo em todas as coisas. Daí vem também que os que estão no inferno, porque são contra o bem e o vero, sejam de uma deformidade horrenda, e que na luz do céu eles não apareçam como homens, mas como monstros. Que a aparência espiritual seja a fé, é porque ‘olhar’ e ‘ver’, no sentido interno, é entender e, em um sentido ainda mais interior, ter fé (ver n. 897, 2150, 2325, 2807, 3863, 3869, 4403 ao 4421).