ac 5202

Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

. ‘E eis [que] sete outras vacas subiam do rio após elas’; que signifique os falsos pertencentes ao natural também no limite, vê-se pela significação das ‘vacas’, que são os veros do natural, de que se tratou logo acima (n. 5198), daí vem que as ‘vacas’ no sentido oposto são os falsos, porquanto a maioria das expressões na Palavra tem um sentido oposto, que é conhecido a partir do genuíno; em consequência, como as ‘vacas’ no sentido genuíno são os veros do natural, no sentido oposto elas são os falsos do mesmo gênero, assim, os falsos no natural. E também se vê pela significação do ‘rio’, que é o limite, de que também acima se tratou (n. 5196, 5197). Que seja no limite, é evidente também a partir disso, que se diz que elas tinham subido do rio, subir, com efeito, se predica de uma progressão do exterior para os interiores (n. 3084, 4539, 4969).
[2] Deve-se dizer o modo como a coisa acontece, porque nas explicações que seguem se trata dessa progressão. No capítulo precedente, tratou-se do exterior natural e das coisas que ali pertenciam à classe intelectual, e das coisas que pertenciam à classe voluntária; e que aquelas foram recebidas e estas foram rejeitadas. As coisas que pertenciam à classe intelectual foram representadas pelo copeiro, e as que à classe voluntária, pelo padeiro; e porque as que pertenciam à classe intelectual foram recebidas, elas foram subordinadas ao natural interior, disso se trata no capítulo precedente, e era isso a primeira coisa do renascimento do natural.
[3] Neste capítulo, no entanto, se trata do influxo do celeste do espiritual nas coisas do natural que foram retidas, a saber, nas que ali pertenciam à parte intelectual; estas são as que são significadas pelas ‘vacas belas de aparência e gordas de carne’. Como, porém, o natural quanto aos intelectuais sós não pode renascer, havia também os voluntários, porquanto em cada coisa deverá haver do intelectual e, ao mesmo tempo, do voluntário para que seja alguma coisa. Ora, como antes o voluntário foi rejeitado, é por isso que um novo deverá influir no lugar dele. Este novo provém do celeste do espiritual, do qual se trata, e também de seu influxo no natural neste capítulo. O modo como acontece com natural nesse estado é descrito no sentido interno, a saber, que os veros ali tenham sido exterminados pelos falsos, e assim, que o natural foi deixado ao celeste do espiritual, coisas que são significadas por isso, que ‘as vacas boas foram comidas pelas más’, e que ‘as espigas cheias foram devoradas pelas espigas miúdas’, e em seguida pelo fato de que José tenha previsto as necessidades de todo o Egito. Mas, a respeito destas coisas, nas explicações que seguem, pela Divina Misericórdia do Senhor, se dirá vária coisas.
[4] Além disso, há coisas tais que custosamente caem na luz do entendimento humano, pois são arcanos da regeneração, que em si são inúmeros, o homem dificilmente conhece alguns. Com efeito, o homem que está no bem renasce a cada momento, desde a primeira infância até o último instante da vida no mundo e, em seguida, pela eternidade, não só quanto aos interiores, mas também quanto aos exteriores, e isto por meio de processos estupendos. São esses progressos que, quanto a muitas partes, fazem a sabedoria angélica. Sabe-se que essa sabedoria é inefável, e que ela contém coisas tais que o ouvido não ouviu, e o olho não viu, e que nunca chegam ao pensamento do homem. O sentido interno da Palavra trata de tais coisas, assim, ele é adequado à sabedoria angélica, este, quando influi daí no sentido da letra, torna-se adequado à sabedoria humana e, daí, afeta de um modo latente aqueles que, a partir do bem, estão no desejo de saber os veros oriundos da Palavra.

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