. ‘E eis [que] sete espigas subiam em um cálamo’; que signifique os conhecimentos que pertencem ao natural, conjuntos, vê-se pela significação das ‘espigas’, que são os conhecimentos do natural, de que se tratará no que segue; e pela significação de ‘em um cálamo’, que são os que foram conjuntos, porquanto as coisas que estão em um mesmo cálamo, essas estão conjuntas quanto à origem. Que as espigas, ou hastes, signifiquem os conhecimentos, é porque o grão significa o bem do natural (n. 3580). Com efeito, os conhecimentos são os continentes do bem do natural assim como as espigas são os continentes do grão, é que, em geral, todos os veros são vasos do bem, assim também os conhecimentos, pois estes são os veros ínfimos. Os veros ínfimos (ou veros do natural exterior) são chamados conhecimentos porque estão na memória natural (ou externa) do homem e porque, quanto a maior parte, participam da luz do mundo e, por isso, podem ser apresentados e representados diante dos outros por formas de palavras, ou seja, por ideias formadas em palavras por meio das coisas que pertencem ao mundo e à luz do mundo. Mas os veros que estão na memória interior não são chamados conhecimentos, mas veros, até onde participam da luz do céu, não são inteligíveis senão por meio dessa luz, e não são suscetíveis de serem enunciados a não ser por formas de palavras ou por ideias formadas em palavras por meio de tais coisas que pertencem ao céu e à luz do céu. Os conhecimentos que são aqui significados pelas espigas são os conhecimentos da igreja (a respeito dos quais ver n. 4749, 4844, 4964, 4965). [2] Que houve dois sonhos, um a respeito de sete vacas, o outro de sete espigas, era porque no sentido interno se tratou de um e do outro natural, o interior e o exterior, e nas coisas que seguem se trata de renascimento de um e do outro. Pelas ‘sete vacas’ foram significados os veros que pertencem ao natural interior, e que foram chamados veros do natural (n. 5198); e pelas ‘sete espigas’, os veros do natural exterior, e são chamados conhecimentos. [3] Os conhecimentos interiores e exteriores são significados pelas ‘espigas do rio do Eufrates até o rio do Egito’ em Isaías: “Será depois, nesse dia, que JEHOVAH sacudirá da espiga do rio até o rio do Egito, e vós sereis recolhidos um a um, ó filhos de Israel. Será depois, nesse dia, [que] se tocará um buzina grande, e virão os que pereciam na terra de Asshur e os expulsos na terra do Egito, e se encurvarão a JEHOVAH na montanha da santidade, em Jerusalém” (27:12, 13); ‘os que pereciam na terra de Asshur’ estão pelos veros interiores; e ‘os expulsos na terra do Egito’ são os veros exteriores, ou conhecimentos. [4] A comparação com a grama [ou relva], a espiga, o grão, envolve também o renascimento do homem por meio dos conhecimentos, por meio dos veros da fé e por meio dos bens da caridade, em Marcos: “Jesus disse: Assim se tem com o Reino de Deus, como quando um homem lança semente sobre a terra, dorme em seguida, e se levanta de noite e de dia; a semente, porém, germina e cresce, não sabendo ele [como], pois por si mesma a terra produz fruto; primeiro a grama, em seguida a espiga, depois o grão na espiga; quando, porém, tiver sido produzido o fruto, logo envia a foice, porque é chegada a ceifa” (4:26, 27, 28, 29); o ‘Reino de Deus’, que é comparado à ‘grama’, à ‘espiga’ e ao grão, é o céu no homem por meio da regeneração, visto que quem foi regenerado tem em si o Reino de Deus e se torna em imagem o Reino de Deus, ou céu; a ‘grama’ [ou relva] é o primeiro conhecimento, a ‘espiga’ é o conhecimento do vero daí proveniente, o ‘grão’ é o bem daí proveniente. Mesmo as leis dadas a respeito da ‘colheita das espigas’ (Lv. 19:9; 23:22); depois, acerca da ‘liberdade de arrancar espigas da seara do companheiro’ (Dt. 23:25); e também acerca de ‘não poder comer pão’, ‘espigas tostadas, nem verdes, antes de ter trazido o presente de Deus’ (Lv. 23:14), representavam tais coisas que são significadas pelas espigas.