ac 5215

Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

. ‘E queimadas pelo vento-oriental’; que signifique cheios de cobiças, vê-se pela significação de ‘queimadas pelo vento-oriental’, que é [que foi] consumido pelo fogo das cobiças. Com efeito, o ‘vento-oriental’ e o ‘oriente’, no sentido genuíno, são o amor ao Senhor e o amor para com o próximo (n. 101, 1250, 3249, 3708, 3762); por isso, no oposto, é o amor de si e o amor do mundo, por conseguinte, as concupiscências e as cobiças, pois estas pertencem a esses amores. Predica-se o ‘fogo’ a respeito dessas cobiças pelo motivo de que se tratou no n. 5071; consequentemente, ‘ser queimado’.
[2] Há, com efeito, duas origens do calor, como também há duas origens da luz; uma origem do calor provém do sol do mundo, a outra origem do calor provém do Sol do céu, que é o Senhor. Que o sol do mundo difunda o calor em seu mundo e em todas as coisas que ali estão, é conhecido; mas que o sol do céu infunda o calor em todo o céu, não é assim conhecido; mas ainda assim pode ser conhecido se apenas se refletir sobre o calor que está intrínseco no homem e que nada tem de comum com o calor do mundo, isto é, sobre o calor que é denominado vital. Daí se pode saber que esse calor é de natureza diferente520 da do calor do mundo, a saber, que aquele é vivo, enquanto este não é de modo algum vivo; e que aquele, porque é vivo, acenda os interiores do homem, a saber, da sua vontade e do seu entendimento, e que ele lhe dá o desejar e o amar, depois, o ser afetado. Daí também vem que os desejos, os amores, as afeições, são calores espirituais e de fato são assim chamados. Que sejam calores, evidencia-se manifestamente, pois o calor exala de todo lado dos corpos vivos, mesmo no auge do frio; e realmente quando aumentam os desejos e as afeições, isto é, os amores, então, no mesmo grau, o corpo esquenta. É esse calor que, na Palavra, se entende pelo ardor, o fogo, a chama e é, no sentido genuíno, o amor celeste e espiritual, e no sentido oposto, o amor corporal e terrestre. Daí se pode ver que, aqui, por ‘ser queimado pelo vento-oriental’ é significado ser consumido pelo fogo das cobiças, e quando essa expressão é predicada dos conhecimentos, que são as ‘espigas franzinas’, que é significado que esses conhecimentos estão cheios de cobiças.
[3] Que pelo ‘vento-oriental’, ou ‘vento do oriente’521, são significadas as coisas pertencentes às cobiças e, daí, às fantasias, vê-se pelas passagens na Palavra onde [esse vento] é mencionado, como em Davi:
“Fez caminhar o vento-oriental nos céus, e produziu pela sua força o vento-sul522, e fez chover sobre eles, como o pó, a carne, como areia do mar, a ave de asa” (Sl. 78:26, 27).
Que pela ‘carne’ que esse vento trouxe sejam significadas as cobiças, e pela ‘ave de asa’ as fantasias daí provenientes, é evidente em Moisés (Nm. 11:31 ao 35), que, onde o povo foi acometido por uma chaga porque tinha comido carne, é chamado o nome desse lugar ‘sepulcro da cobiça’523, porque ali sepultaram o povo que estava cobiçando.
[4] Em Ezequiel:
“Eis, será que a vide plantada prosperará? Será que quando a atingir o vento oriental (euro) não secará secando? Sobre os canteiros desse gérmen secará” (17:10);
e no mesmo:
“Uma vide foi arrancada na via, foi lançada em terra, e o vento oriental secou o seu fruto; foram separadas e secaram todas as varas da sua força; o fogo comeu cada uma; saiu, pois, um fogo de uma vara dos seus ramos, comeu o seu fruto, de modo que não há nela uma vara de força, um cetro para dominar” (Ez. 19:12, 14);
ali o ‘vento oriental’, ou ‘euro’, significa as coisas pertencentes às cobiças. Em Isaías:
“Meditou a respeito do seu vento severo no dia do euro” (27:8).
[5] Em Oseias:
“Virá o euro, o vento de JEHOVAH desde o deserto subindo, e secará a sua nascente, e sesecará a sua fonte, ele depredará o tesouro de todos os vasos de desejo” (13:15).
Aí também o ‘vento oriental’, ou ‘euro’, significa as coisas que pertencem às cobiças. Semelhantemente em Jeremias:
“Assim como o vento oriental, dispersá-los-ei diante do inimigo” (18:17).
[6] Em Davi:
“Pelo vento oriental quebrarás os navios de Társis” (Sl. 48:8 [Em JFA, 48:7]).
Em Isaías:
“Abandonaste o teu povo, a casa de Jacó; porque foram repletos do euro, e os adivinhos são os filisteus” (2:6).
Em Oseias:
“Efraim se apascenta de vento e persegue o euro, todo dia a mentira e a devastação [ele] multiplica” (12:2);
o ‘vento’ aqui está no lugar das fantasias, e o ‘euro’, das cobiças. Semelhantemente, no sentido internotambém se entende pelo vento oriental, pelo qual foram produzidos gafanhotos e pelo qual os gafanhotos foram lançados no mar (Êx. 10:13, 19); e também pelo qual foram divididas as águas do mar de Suph (Êx. 14:21).

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